Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
Anais do
13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º 2016
Página inicial Voltar para a página anterior Fale conosco

RESUMO DO TRABALHO

Abrir
Arquivo

Clique para abrir o trabalho de código 191, Ã�rea Temática: Área IV: Contabilidade Gerencial

Código: 191

Área Temática: Área IV: Contabilidade Gerencial

Título: Análise do comportamento dos custos das empresas brasileiras listadas no segmento da Construção Civil da BM&FBOVESPA diante das mudanças no nível de atividade no período de 2005 a 2014.

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Tradicionalmente, a literatura contábil propõe que o comportamento dos custos assume uma proporcionalidade entre as atividades e os custos, considerando que, a variação dos custos acompanha a variação da atividade, independentemente da direção da mudança (NOREEN, 1991; RICHARTZ, 2013). Porém, Anderson, Banker e Janakiraman (2003) comprovaram o comportamento assimétrico dos custos (Sticky Costs), no qual, os custos aumentam com maior intensidade quando a receita aumenta do que no sentido oposto, colaborando para o início do novo panorama e evolução do tema. O fraco desempenho do setor da Construção Civil nos últimos anos é consequência da desaceleração do crescimento da renda do trabalho, da redução da taxa de criação liquida de empregos formais e da desaceleração do crédito (FUNDACE-RP/USP, 2014). Zatta, Freire, Coser, Neto e Filho (2003) afirmam que é considerável a frequência com que os custos se esbarram em condições de natureza econômica que alteram seu comportamento. Além do que, cada setor tem sua própria produção e ambiente operacional, tecnologia associada, mercados de produtos e ambientes regulatórios (RICHARTZ & BORGERT, 2014). Dessa forma, a análise exploratória de alguns Setores, Subsetores e Segmentos que apresentam variabilidade dos índices possibilita o conhecimento das causas do comportamento dos custos das organizações (RICHARTZ, 2013). Desse modo, objetivou-se o seguinte problema de pesquisa: Qual é o comportamento dos custos das empresas brasileiras do segmento da Construção Civil listadas na BM&FBOVESPA diante das mudanças no nível de atividade entre os anos de 2005 a 2014? Nesse sentido a presente pesquisa visa contribuir para o entendimento sobre a teoria comportamental dos custos, com ênfase no segmento da Construção Civil.

Base da plataforma teórica:
Na seção do Referencial Teórico é dada ênfase a literatura relacionada ao comportamento dos custos e Sticky Costs, assim destaca-se a forma de análise tradicional do comportamento dos custos e a análise alternativa proposta por Anderson, Banker e Janakiraman (2003). De forma tradicional, o comportamento dos custos caracteriza a forma como os mesmos se modificam a partir de mudanças nos níveis de atividade ou no volume de produção, ou seja, o custo muda quando uma atividade muda (GOMES, LIMA & STEPPAN, 2007; WARREN, REEVE & FESS, 2001). Assim, os custos, baseados em seu comportamento em resposta às mudanças no nível de atividades, são classificados em fixos e variáveis. São considerados custos fixos aqueles que se mantem inalteráveis independentemente do nível de produção, já os custos variáveis mudam proporcionalmente com o volume de produção (ATKINSON, BANKER, KAPLAN & YOUNG, 2008). Medeiros, Costa e Silva (2005) consideram que o modelo tradicional de custos possui uma visão distorcida em relação ao comportamento dos custos. Isto porque, a classificação dos Custos Indiretos como fixos (custos invariáveis em relação à mudança no volume) pode acarretar em decisões equivocadas, uma vez que, em muitas organizações, esses custos têm se apresentado em taxas de aumento sem o aumento no volume de atividade. Anderson et al., (2003) analisaram 7.629 empresas em um período que compreende mais de 20 anos, comparando o modelo tradicional do comportamento dos custos com o modelo alternativo dos custos assimétricos, no qual, os custos variam assimetricamente em relação às mudanças nos níveis de atividade. Diante deste estudo, uma teoria denominada Sticky Costs foi fundamentada, tendo como pressuposto que, o comportamento assimétrico dos custos é constatado quando a intensidade do aumento dos custos, em relação ao aumento de atividade, é maior do que a intensidade da redução da atividade correspondente (RICHARTZ, 2013). O tratamento tradicional para o comportamento dos custos, realiza estimações sem considerar a assimetria dos custos, o que leva a uma subavaliação da resposta dos custos a aumentos na atividade e superestimação da resposta dos custos a reduções de atividade. Sugere-se que o conhecimento da mensuração a respeito do comportamento assimétrico dos custos pode ser verificada e controlada, uma vez que, os gestores avaliam a sua exposição aos custos assimétricos ao observarem a sensibilidade dos custos às reduções de volume, e assim, podem reduzir os custos de ajustamento associados a mudar os níveis de recursos contratados (ANDERSON et al., 2003; MEDEIROS et al., 2005). Posterior ao estudo de Anderson et al. (2003), em oposição ao modelo convencional de classificação dos custos em fixos e variáveis, vários autores aplicaram modelos semelhantes para a investigação da assimetria dos custos. No Brasil Medeiros et al. (2005); Porporato e Werbin (2010); Richartz, Borgert, Vicente e Ferrari (2012); Richartz (2013); Richartz e Borgert (2014); Elias, Borgert e Richartz, (2014); e Richartz, Borgert e Lunkes (2014) testaram e confirmaram a hipótese de que os custos das empresas brasileiras demonstraram elasticidade assimétrica em relação às variações nas receitas. Ademais, este trabalho relata as principais contribuições dos estudos anteriores de Subramaniam e Weidenmier (2003); Balakrishnan, Petersen e Soderstrom (2004); Banker, Byzalov e Mashruwala (2014); Balakrishnan, Labro e Soderstrom (2014), nos quais, objetivaram investigar e explicar a ocorrência da assimetria no comportamento dos custos.

Método de investigação:
O delineamento metodológico utilizado para desenvolver o trabalho caracteriza-se como descritivo, de caráter predominantemente quantitativo. Para composição da amostra excluem-se as empresas que não apresentaram os dados em suas demonstrações individuais no intervalo de tempo em análise e, dessa forma, optou-se por analisar empresas com dados individuais, por considerar a possibilidade de resultados que não sejam inerentes ao do segmento. Desse modo, procedeu-se a uma pesquisa do tipo levantamento com dados de 14 empresas ao longo de 10 anos (2005-2014), cujos dados foram extraídos das Demonstrações do Resultado do Exercício (DRE) publicadas anualmente pelas empresas do segmento da Construção Civil listadas na BM&FBOVESPA. A base de dados desta pesquisa é constituída por: Receita Liquida de Vendas (RLV); Custo dos Produtos/Serviços Vendidos (CPV) e o cadastro no sitio da BM&FBOVESPA das empresas. Os valores são ajustados pelos índices de inflação IPCA (IBGE) com auxilio do software Microsoft Excel®. Os dados são analisados por meio de estatística descritiva, regressão simples e regressão de dados em painel, sendo a variável dependente a variação do CPV e independente a variação das RECEITAS no período. Tais análises foram desenvolvidas através do software R versão 3.2.3 for Windows. Para avaliação dos Sticky Costs, em virtude das análises longitudinais, opta-se em ordenar os dados em painel, uma vez que o modelo de dados em painel elabora um “mix” entre a cross-section e as séries temporais, ou seja, diversas observações são monitoradas, não apenas em um único instante de tempo, mas ao longo de vários períodos de tempos (FÁVERO, BELFIORE, SILVA & CHAM, 2009). Realiza-se o teste de assimetria geral e por níveis de variações da Receita Líquida de Vendas, uma vez que, os níveis de variação da RLV influenciam na assimetria dos custos (RICHARTZ, 2013). Desse modo, utiliza-se o reflexo no CPV para variações da RLV até 10% e superior a 10%.

Resultados, conclusões e suas implicações:
Nas analises descritivas entre a relação dos Custos dos Produtos Vendidos (CPV) e receita liquida de vendas (RECEITA) os dados revelam que as empresas do segmento da Construção Civil comprometem em média 66,89% da sua Receita Líquida de Vendas com os Custos dos Produtos Vendidos. Tratando-se do desempenho da relação CPV/RLV a empresa que apresenta maior média CPV/RLV é a PDG Realty S.A. com um índice de 97%, e isso indica que somente a Receita Líquida de Vendas desta empresa é insuficiente para cobrir demais despesas da empresa. Este, também, é o caso das empresas TGLT S.A, Even Construtora e Incorporadora S.A e a TRISUL S.A. que apresentam índice igual e/ou superior a 90%. Em contrapartida, há empresas que se destacam dentro do segmento, a Construtora Adolpho Lindenberg S.A. possui o melhor índice desse conjunto. Da sua RLV, em média, 18% é comprometida pelo CPV. Outras empresas como a Direcional Engenharia S.A., Helbor Empreendimentos S.A. e Cyrela Brazil Realty S.A., também, apresentam índices abaixo da média do segmento. Através da linha de tendência, obtida por meio da regressão linear simples, entre a razão CPV/RLV e o número de anos, o coeficiente de determinação (r 2) é de 0,62. Isso significa que 62% do aumento da relação CPV/RLV é explicado pelo passar dos anos, além do que, observando a confirmação desta tendência, a média deste segmento pode-se igualar a 100% (onde a RLV será totalmente consumida pelo CPV) em 17 anos (2032). Outra constatação deste trabalho é que as empresas que possuem maior faturamento apresentam melhor índice CPV/RLV. As que possuem faturamento a partir de 100.000.000 a relação CPV/RLV tende a ser constante e as que possuem faturamento inferior a 25.000.000 a relação CPV/RLV aumenta, apontando que, para faturamentos abaixo dessa linha a parcela da RLV tende a ser consumida em sua totalidade ou até mesmo superada pelo CPV. A estabilidade e aumento do índice CPV/RLV verificados em questão, podem ser explicados pela influência que o comportamento dos custos recebe do grau de participação dos custos fixos na composição do custo total (WEST, 2003). Consoante a Porpato e Werbin (2010) isto pode ser explicado pela natureza dos custos, no qual alguns setores possuem mais custos fixos que outros. Assim, o segmento de estrutura de custos mais fixa, necessitam de maiores incrementos na RLV para cobrir tais custos resultantes de diversos investimentos. Para testar a teoria dos Sticky Costs proposta por Anderson et al. (2003) os resultados do teste geral de assimetria dos custos mostram que quando a RLV aumenta 1% o CPV aumenta 0,8732%, ao passo que quando a RLV diminui 1% o CPV diminui apenas 0,6898%. Desse modo, é possível observar que o CPV sofre maior variação quando há aumentos na receita. Portanto, baseado numa diferença de 0,1834% (0,8732 - 0,6898), pode-se concluir que o comportamento dos custos não só é assimétrico, como também, apresenta as características preconizadas pela teoria do Sticky Costs. No teste de assimetria por níveis de variação da RLV percebe-se o comportamento assimétrico dos custos em relação às variações nas receitas, ou seja, as variações do CPV são diferentes diante dos aumentos e diminuições da RLV. Assim, para as variações de até 10% da RLV, para cada 1% de aumento da receita o custo aumenta 0,8407% e quando a receita diminui 1% o custo diminui 0,7190%. Da mesma maneira, para as variações acima de 10% na RLV, para cada 1% de aumento da receita o custo aumenta 0,8975% e quando a receita diminui 1% o custo diminui somente 0,7449%. Isto é, comprova-se a teoria proposta por Anderson et al. (2003), de que os custos aumentam mais quando a receita aumenta do que o inverso. Desse modo, para este segmento em análise, os resultados deste trabalho confirmam a teoria dos Sticky Costs, corroborando com os indicativos dos estudos feitos em empresas brasileiras por Medeiros et al. (2005) e Richartz (2013). Cabe ressaltar que estas considerações são válidas somente para o segmento e período estabelecidos para análise, uma vez que, as instituições recebem influências do ambiente que estão inseridas, bem como, outras variáveis que não foram medidas neste estudo.

Referências bibliográficas:
Anderson, M. C., Banker, R. D., & Janakiraman, S. N. (2003). Are selling, general, and administrative costs “sticky”?. Journal of Accounting Research,41(1), 47-63. Atkinson, A. A., Banker, R. D., Kaplan, R. S.,Young, M. S. (2008). Contabilidade Gerencial (2a ed.). São Paulo: Atlas. Medeiros, O. R. D., Costa, P. D. S., & Silva, C. A. T. (2005). Testes empíricos sobre o comportamento assimétrico dos custos nas empresas brasileiras. Revista Contabilidade & Finanças, 16(38), 47-56. Noreen, E. (1991). Conditions under which activity-based cost systems provide relevant costs. Journal of Management Accounting Research, 3(4), 159-168. Richartz, F., Borgert, A., & Lunkes, R. J. (2014). COMPORTAMENTO ASSIMÉTRICO DOS CUSTOS EM EMPRESAS BRASILEIRAS LISTADAS NA BM&FBOVESPA. Advances in Scientific and Applied Accounting, 7(3), 339-361. Richartz, F. (2013). O comportamento dos custos das empresas brasileiras listadas na BM&FBOVESPA entre 1994 e 2011. Dissertação de mestrado, Universidade Federal de Santa Catarina, SC, Brasil. Recuperado em 20 março, 2015, de https://repositorio.ufsc.br/handle/ 123456789/107255. Richartz, F., Borgert, A., Ferrari, M. J., & Vicente, E. F. (2012). Comportamento dos custos das empresas brasileiras listadas no segmento de Fios e Tecidos da BM&FBOVESPA entre 1998 e 2010. In. In XIX Congresso Brasileiro de Custos. Anais... Bento Gonçalves, CBC. Warren, C. S.,Reeve. J. M, Fess, P. E. Contabilidade Gerencial. (2001). (6a ed.). São Paulo: Pioneira Thomson Learning.

 

Logos dos Patrocinadores
Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016