Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
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RESUMO DO TRABALHO

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Clique para abrir o trabalho de código 198, Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Código: 198

Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Título: Avaliação de Hospitais por meio de Índices Econômico-Financeiros e do Modelo Fleuriet

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Os hospitais são organizações de grande importância para a garantia da saúde. Em virtude disso, eles precisam apresentar bons resultados financeiros a fim de assegurar a sua continuidade e a expansão dos serviços prestados à sociedade. Assim esta pesquisa tem como objetivo principal a avaliação financeira de hospitais. Para consecução desse objetivo geral foram propostos os seguintes objetivos específicos: (i) identificar indicadores financeiros que descrevam aspectos relevantes da condição econômico-financeira dos hospitais, (ii) identificar características da performance financeira hospitalar e (iii) comparar o desempenho econômico-financeiro dos hospitais estudados. Para tanto foram utilizados indicadores financeiros calculados por meio das demonstrações contábeis das organizações estudadas. Os indicadores financeiros têm como propósito demonstrar a capacidade da organização de pagar dívidas, a composição da lucratividade, a participação de capital de terceiros, entre outras informações (Barros, 2015). Além dos indicadores financeiros o Modelo de Fleuriet também foi utilizado para verificar as características financeiras dos hospitais e realizar comparações acerca dos mesmos. O Modelo Fleuriet representa uma alternativa à análise financeira tradicional e se distingue dessa por considerar as contas contábeis conforme o seu ciclo. Esse fato faz com que o modelo também seja conhecido pelo nome de Modelo Dinâmico de Capital de Giro. Para o desenvolvimento do modelo o Balanço Patrimonial pode ainda ser reclassificado em contas erráticas, cíclicas e não cíclicas (Fleuriet, Kehdy & Blane, 2003).

Base da plataforma teórica:
De acordo com Dallora e Foster (2008) a avaliação econômica da saúde assume um papel de destaque, no sentido que é necessário conciliar a qualidade dos serviços prestados à utilização racional dos recursos disponíveis. Os hospitais passam por dificuldades financeiras, dado a insuficiência de recursos. Assim, verifica-se que o endividamento dos hospitais aumenta para financiar as atividades, o que provoca escassez de investimentos no desenvolvimento e aprimoramento da gestão (Souza, Teixeira, Oliveira, Guerra & Moreira, 2009). A necessidade de racionalização dos recursos aumenta o destaque para as práticas da administração financeira no setor hospitalar. A administração financeira no setor hospitalar exige uso de ferramentas gerenciais compatíveis com os interesses da gestão financeira dessas organizações (Lima Neto, 2011). Nesse sentido destaca-se o uso dos indicadores financeiros. A literatura conta com a disponibilidade de diversos indicadores financeiros utilizados. Dado a essa disponibilidade de indicadores deve-se estabelecer critérios de seleção entre os mesmos, uma vez que conforme Silva (2013), o aumento do uso de indicadores na análise não é proporcional ao aumento na qualidade da mesma. Dessa forma, o autor esclarece ainda que o excesso de indicadores, na verdade, pode prejudicar a clareza e concisão das conclusões obtidas por meio da análise financeira realizada. Com relação ao uso de indicadores no setor de saúde verifica-se o trabalho de Souza, Teixeira, Oliveira, Guerra & Moreira, (2009) para a proposta de indicadores apropriados. Os autores por meio de um estudo teórico baseado em pesquisa bibliográfica propuseram alguns indicadores considerados adequados para a análise financeira de hospitais. O presente estudo utilizou os principais indicadores originalmente propostos pelos autores supracitados. Apesar da importância dos indicadores a análise financeira não se restringe a esses. A necessidade de avaliação da situação financeira das organizações impulsiona o desenvolvimento de novas técnicas para a compreensão dos fenômenos econômicos. Uma dentre as técnicas para tal avaliação é o chamado Modelo de Fleuriet, abordagem criada ao final da década de 1970 para análise financeira empresarial que leva o nome de seu próprio autor Michael Fleuriet. Para o desenvolvimento do modelo o Balanço Patrimonial é reclassificado em contas erráticas, cíclicas e não cíclicas (Fleuriet, Kehdy & Blane, 2003). As contas erráticas, tanto no ativo como no passivo, são as contas de curto prazo que não estão necessariamente relacionadas com a atividade operacional da empresa. As contas cíclicas também são de curto prazo, mas estão relacionadas à atividade operacional da empresa. Por fim as contas não cíclicas são as contas do ativo e passivo não circulante (Fleuriet, Kehdy & Blane, 2003). Essa estruturação do Balanço Patrimonial permite a determinação dos três principais fatores da análise com o Modelo Fleuriet: Necessidade de Capital de Giro – NCG, Capital de Giro – CDG e o Saldo em Tesouraria – T. A situação financeira identificada por meio do modelo em questão, decorre da observação dos valores obtidos para CDG, NCG e T (Marques & Braga, 2007). Nesse trabalho o Modelo Fleuriet foi utilizado em consonância com a análise financeira para o alcance do objetivo principal do estudo qual seja: avaliação financeira de hospitais. A utilização de diferentes abordagens só tende a contribuir para a pesquisa revelando diferentes meios de se entender o fenômeno estudado.

Método de investigação:
O presente estudo pode ser considerado de natureza quantitativa, uma vez que, faz uso de coleta de dados confiando na medição numérica para estabelecer padrões de comportamento de uma população estudada Em relação ao tipo de pesquisa esta é uma pesquisa descritiva. Este tipo de pesquisa tem por objetivo descrever propriedades e características importantes acerca do fenômeno que se analisa (Sampieri, Collado & Lucio, 2006). Assim, foram coletados os dados das demonstrações contábeis de 15 hospitais entre o período de 2009 e 2012. A amostra contou com hospitais de natureza pública, privada e filantrópica. Os dados foram obtidos por meio de coleta secundária de dados retirados tanto dos sites da imprensa oficial na qual os hospitais mantêm sua sede, como também dos sites das próprias instituições estudadas. O critério para a seleção da amostra e do período de análise foi de disponibilidade de dados das demonstrações contábeis. Apesar de a atual legislação favorecer transparência na prestação de contas dos setores público e privados (accountability). Com relação ao setor público e filantrópico, ressalta-se ainda existência de dificuldades em se conseguir dados relativos às demonstrações contábeis de hospitais atuantes nos segmentos. De forma geral, as demonstrações disponíveis reportam-se mais aos hospitais de grande porte. Os dados coletados foram trabalhados por meio do software Microsoft Excel. Antes de se iniciar as análises, as demonstrações contábeis foram padronizadas com vistas a manter um padrão na distribuição das contas contábeis que atenda as necessidades da análise (Silva, 2013). Além disso, as demonstrações também foram padronizadas para atender a classificação utilizada no Modelo Fleuriet.

Resultados, conclusões e suas implicações:
A avaliação dos hospitais iniciou-se a partir da análise dos indicadores financeiros dos mesmos. Os hospitais foram ordenados em grupos conforme a natureza jurídica (públicos, privados e filantrópicos) e o porte medido pelo Ativo Total Médio do período. Dessa forma buscou-se entender se as diferenças entre os indicadores dos hospitais são devido à natureza dos mesmos ou ao porte desses. Por meio de uso dos índices financeiros percebeu-se que apesar da média satisfatória para Liquidez Corrente, os hospitais apresentaram problemas financeiros e encerraram o período com déficit que reflete nos índices de rentabilidade negativos identificados consoante os achados de Canazaro (2007). O acumulado dos déficits também fez com que o Patrimônio Líquido de algumas das organizações estudadas fosse negativo o que significa que o total dos ativos não é suficiente para saldar o total das dívidas do passivo dessas instituições. Na análise comparativa constatou-se que os hospitais maiores tenderam a apresentar melhores índices financeiros entre seus segmentos e de maneira geral na amostra. Ainda assim, houve algumas exceções, dentre as quais se destacou a situação identificada para o hospital 12. A análise dos índices da organização não permitiu concluir que a natureza jurídica e porte tenham efeito determinativo sobre os resultados dos hospitais. Com o uso do Modelo Fleuriet verificou-se que os hospitais apresentam situações financeiras heterogêneas como também oscilaram entre os anos estudados. Tal como na análise dos indicadores financeiros, de forma geral observou-se que hospitais maiores tenderam a apresentar melhor situação financeira, novamente com exceção do hospital 12, entretanto com exceção também do hospital 9, que apresentaram respectivamente, situação muito ruim e insatisfatória conforme o modelo aplicado. Com o Modelo Fleuriet também foi constatado que muitos dos hospitais analisados apresentam situação financeira desfavorável, pois entre os 15 hospitais da amostra 9 apresentaram, ao menos em um ano, situação IV, V e VI que correspondem respectivamente a péssima, muito ruim e alto risco. Hospitais nessa situação apresentam CDG negativo, ou seja, se financiam com recursos de curto prazo. Nesse sentido destaca-se o uso das aplicações financeiras que representaram valores expressivos nos demonstrativos contábeis dos hospitais estudados, entretanto essas nem sempre são seguidas de resultados financeiros positivos dado que a taxa cobrada pelos bancos em empréstimos é maior que os rendimentos financeiros. O elevado uso de aplicações financeiras por parte dos hospitais também havia sido notado no estudo de Lima Neto (2011). Nesse estudo o autor concluiu que esse fato estava ligado a uma estratégia dos hospitais para aumentar o seu rendimento uma vez que a taxa de juros básica do país, a SELIC, apresentava valores expressivos. Entretanto, no presente estudo não se pôde chegar às mesmas conclusões dado a constatação de elevado uso de capitais de terceiros pelos hospitais o que também gerou elevadas despesas financeiras. Alguns hospitais apresentaram um desempenho financeiro ruim que resultou em prejuízo acumulado. Com uma menor disponibilidade de capital próprio tais instituições precisaram recorrer ao capital de terceiros realizando empréstimos que apresentam taxas maiores que aquelas utilizadas para remuneração de aplicações financeiras. No geral a presente pesquisa demonstra que os hospitais apresentaram problemas financeiros que precisam ser superados para manutenção do atendimento para pacientes. De forma geral, o porte do hospital influenciou o resultado dos mesmos no sentido em que os hospitais maiores tenderam a apresentar melhores índices financeiros e melhores situações financeiras que os menores, conforme respectivamente, o Modelo Fleuriet e as classificações de Marques e Braga (1995). Além disso, a análise por meio do Modelo Fleuriet esteve de acordo com a análise dos índices na maioria dos casos observados. A vantagem na utilização desse modelo é que o mesmo permite uma visão ampla e dinâmica da empresa tendo em vista a determinação da situação em relação à solvência.

Referências bibliográficas:
Barros, T. (2015). Análise Técnica e Fundamentalista: ensaio sobre os Métodos de Análise. Revista de Administração e Negócios da Amazônia, 7(2). Recuperado de http://www.periodicos.unir.br/index.php/rara/article/view/1231/1458. Canazaro, M. P. (2007). Desempenho econômico-financeiro de nosocômios brasileiros: uma análise comparativa de hospitais com e sem fins lucrativos. (Dissertação de Mestrado). Universidade do Vale do Itajaí, Programa de Pós-Graduação em Administração, Biguaçu. Dallora, M. E. L. V., & Forster, A. C. (2008, abril/junho). A importância da gestão de custos em hospitais de ensino: considerações teóricas. Medicina, Ribeirão Preto, 41(2), pp. 135-142. Recuperado de http://www.revistas.usp.br/rmrp/article/view/259. Fleuriet, M., Kehdy, R., & Blanc, G. (2003). O Modelo Fleuriet, a dinâmica das empresas brasileiras: um método de análise, orçamento e planejamento financeiro. (6ª ed.). Rio de Janeiro: Elsevier. Lima Neto, L. (2011) Análise da situação econômico-financeira de hospitais. O Mundo da Saúde,35(3),pp.270-277.Recuperado de http://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/analise_ situacao_ economico_financeira_hospitais.pdf. Marques, J. A. C., & Braga; R. (1995, maio/junho). Análise Dinâmica do Capital de Giro: o Modelo Fleuriet. Revista de Administração de Empresa, 35(3), pp. 49-63. Silva, J. P. (2013). Análise financeira das empresas. (12ª. ed.). São Paulo: Atlas. Souza, A. A., Teixeira, L., Oliveira, C., Guerra, M., & Moreira, C. (2009, julho/dezembro). Indicadores de desempenho econômico-financeiro para hospitais: um estudo teórico. Revista de Administração Hospitalar e Inovação em Saúde, 2(3), pp.44-55.

 

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