Resumo: Propósito do Trabalho: As empresas familiares exercem papel essencial no crescimento econômico dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O empreendedorismo das empresas familiares torna-se importantíssimo para o desenvolvimento do sistema econômico e à industrialização dos países (Chami, 2001). Avaliar o desempenho das empresas é uma forma de mensurar a eficiência das ações realizadas pelas organizações, por meio da coleta, análise e interpretação de informações (Kennerley & Neely, 2002). Yang (2012) infere que a medição do desempenho confronta os níveis existentes de realização dos objetivos da empresa medindo a eficiência na alocação de recursos e os resultados gerados. A eficiência de uma empresa ocorre por meio da capacidade de se operacionalizar o uso adequado das entradas em detrimento de maximização das saídas, considerando a tecnologia e capacidade disponível. A otimização dos recursos utilizados pela organização para obter os resultados planejados é considerado a eficiência de uma empresa (Ferreira, Gonçalves & Braga, 2007). Frente à importância das empresas familiares num contexto amplo, estudos que buscam entender sua estrutura de capital e o desempenho econômico, tornam-se importantes. Na área de finanças, estudos são realizados a partir de Durand (1952) e Modigliani e Miller (1958). Neste contexto, o estudo tem como objetivo analisar a eficiência no desempenho econômico das empresas familiares brasileiras e chilenas. A análise torna-se relevante pela importância das empresas familiares num contexto amplo principalmente no que tange a sua estrutura de capital e seu desempenho econômico. Além disso a análise da eficiência destas empresas se dará a partir de países emergentes, que sofreram mudanças econômicas, políticas e sociais nas ultimas décadas.
Base da plataforma teórica: Frente à importância das empresas familiares no contexto mundial, estudos que buscam entender sua estrutura de capital e o desempenho econômico, tornam-se importantes. Conforme Donnelley (1967) a empresa familiar caracteriza-se pela existência de um grau de parentesco de pelo menos duas gerações e quando há influência mútua na política da empresa, nos interesses e objetivos da família. A principal característica das empresas familiares é a ligação a uma família e a administração por membros familiares, proporcionando a continuidade do negócio (Estol & Ferreira, 2006). Na área de finanças estudos são realizados a partir de Durand (1952) e Modigliani e Miller (1958) que são os precursores no estudo sobre a estrutura de capital. Durand (1952) sugeriu que a maneira como a estrutura de capital das organizações era constituída influenciaria nas decisões de investimento que o custo do capital afeta o valor da empresa. Contudo, Modigliani e Miller (1958) afirmaram que o valor da firma é independente da estrutura de capital das organizações. Essas discussões iniciais originaram à teoria Trade-Off a partir de seu trabalho seminal em que afirmam que a forma com que a organização é financiada, é fator relevante na determinação de seu valor. Em 1963, Modigliani e Miller introduziram o aspecto tributário na teoria de estrutura de capitais, considerando que os benefícios tributários contribuem para o aumento do valor da empresa, priorizando a capitação de recursos junto a terceiros em detrimento do capital próprio, em função de ser mais barato captar recursos externos devido aos benefícios fiscais. Ao longo dos anos o crescente aumento de estudos na área de finanças corporativas e suas contribuições originaram duas abordagens significantes, Trade-Off e Pecking Order. O estudo idealizado por Myers (1984) abrange a estrutura de capital e faz a divisão entre as duas correntes. A teoria do Trade-Off trata que o equilíbrio entre o benefício fiscal e o aumento do endividamento estão associados à alavancagem (Modigliani & Miller, 1958). Também detém a ideia de um nível ótimo de endividamento (Myers, 1984; Nakamura, Martin, Forte, Carvalho Filho, Costa & Amaral, 2007). A teoria do Pecking Order determina que a estrutura de capital, para contribuir com o desempenho da empresa, precisa estabelecer uma sequencia, primeiro o uso de recursos internos, seguido da captação de recursos junto a terceiros e posteriormente a emissão de ações (Myers, 1984). Essa teoria infere que os administradores das empresas seguem uma hierarquia no que tange às decisões de como os recursos serão utilizados para financiamento de seus projetos (Myers, 1984; Nakamura et al., 2007). Neste contexto é necessário avaliar o desempenho econômico das empresas familiares, em que os indicadores financeiros são os mais utilizados. Beaver (1966) destacou que os índices são aliados à estimativa de falência em organizações revelando situação financeira negativa antecipada. Neste sentido Altman (1968) ressalta que por meio dos indicadores econômico-financeiro pode-se identificar uma possível falência das empresas. Os indicadores de rentabilidade, liquidez e solvência são importantes e significantes. Altman (1971) reforça a importância da utilização dos indicadores para analisar a situação das empresas, permitindo aos gestores antever uma situação de falência. Neste sentido, a medição do desempenho confronta os níveis existentes de realização dos objetivos da empresa medindo a eficiência na alocação de recursos e os resultados gerados (Yang, 2012).
Método de investigação: O presente estudo caracteriza-se como descritivo, análise documental e com abordagem quantitativa e busca analisar a eficiência do desempenho econômico das empresas familiares brasileiras e chilenas listadas na BM&FBovespa e Bolsa de Comércio de Santiago. Para a seleção das empresas, foram observadas as que possuem membros familiares na sua composição. Em seguida, verificou-se se estes são membros da gestão, direção ou conselho de administração, conforme estudo de Morck e Yeung (2004) e Shyu (2011). Como critério de definição das empresas familiares brasileiras, tomou-se por base estudos anteriores, em que contendo membros da família com detenção maior que 10% das ações, estas são consideradas de propriedade familiar (La Porta, 1999; Anderson & Reeb, 2003; Morck & Yeung, 2004; Shyu, 2011). Entretanto, para identificar as empresas familiares chilenas foram utilizados os estudos de Pilar (2010), Martínez et al. (2007) que definem que a empresa para ser familiar deve ter ao menos um membro da família como acionista, gestor ou proprietário com detenção mínima de 5% do capital da empresa. O universo do estudo é composto pelas empresas familiares brasileiras listadas no IBrX-50 e empresas familiares chilenas listadas no IPSA-40. Foram excluídas da amostra as empresas financeiras e as empresas que não continham dados suficientes, resultando em uma amostra de 16 empresas brasileiras e 16 empresas chilenas. A coleta dos dados foi realizada na base de dados Thomson® e compreendeu o período de 2010 a 2014. Para iniciar as análises dos dados, foi elaborada a estatística descritiva das variáveis estudadas. Em seguida às análises da eficiência se deu por meio da Análise de Envoltória de Dados (Data Envelopment Analysis – DEA) com aplicação do modelo VRS - retorno variável de escala orientado ao output (Saída). Referente às variáveis para a avaliação da eficiência do desempenho econômico, foram divididas em inputs (insumos) e outputs (produtos). Foram usados os seguintes inputs (insumos): retorno sobre o ativo, retorno sobre o patrimônio líquido, retorno sobre as vendas, giro do ativo, fator macroeconômico produto interno bruto, fator macroeconômico inflação, fator macroeconômico de taxa de juros e como outputs (produtos): lucro líquido por ação e lucro líquido. A análise da eficiência no desempenho econômico foi realizada por meio do software MaxDEA 5®.
Resultados, conclusões e suas implicações: Os resultados do estudo evidenciaram a eficiência das empresas familiares analisadas. No ano de 2010, 62,5% das empresas chilenas e 43,75% das empresas brasileiras foram eficientes. No período de 2011 as empresas chilenas eficientes foram 56,25% entretanto das empresas brasileiras somente 25% foram eficientes. Em 2012 as empresas brasileiras eficientes foram 62,5% e já as chilenas 43,75% foram eficientes. As empresas chilenas foram 62,5% eficientes em 2013 e as brasileiras foram somente 25% eficientes. No período de 2014, 56,25% das empresas chilenas foram eficientes e as brasileiras eficientes foram 31,25%. Embasado neste contexto é possível inferir que as empresas chilenas foram mais eficientes nos períodos de 2010, 2011, 2013 e 2014 e as empresas brasileiras foram mais eficientes somente no período de 2012 Os resultados encontrados não vão ao encontro com os achados de Marcon et al. (2007) visto que não foram evidenciadas diferenças significativas nas empresas chilenas em comparação com as empresas brasileiras. Por outro lado, no mesmo estudo destacou que as empresas brasileiras se diferenciaram das chilenas, por apresentarem um maior endividamento, fato que pode explicar os achados da presente pesquisa, ou seja, que as empresas brasileiras foram menos eficientes que as chilenas. Neste contexto, que Kennerley e Neely (2002) indicam que a avaliação de desempenho das empresas é fundamental para a mensuração de sua eficiência. Os gestores devem aplicar os recursos de forma eficiente, utilizando-os com intuito de otimizar os resultados e a performance da organização, assegurando assim a sua permanência no mercado competitivo. Além disso, os achados corroboram com os de Gartner (2010), haja vista que a mensuração do desempenho auxilia os gestores na elaboração de políticas internas da empresa. As empresas familiares são motivo de investigação em virtude de sua contribuição para a economia mundial em diversos estudos. Nesta pesquisa foi destacado o estudo de Anderson e Reeb (2003) que as empresas familiares estadunidenses obtiveram desempenho melhor do que as empresas não familiares. O estudo de Martinez, Stohr e Quiroga (2007) identificou que as empresas familiares chilenas têm melhor desempenho do que as empresas não familiares chilenas, corroborando com a presente pesquisa que identificou uma melhor eficiência nas empresas chilenas. Destaca-se com base na análise da eficiência que as empresas chilenas se apresentaram mais eficientes que as empresas brasileiras, o que pode ser explicado pelos estudos de Perobelli e Famá (2003) e Silva, Majluf e Paredes (2006) que destacaram que as empresas em ambientes estáveis têm melhor desempenho e consequentemente uma melhor eficiência conforme o demonstrado neste estudo.O presente trabalhou também contribuiu, frente à importância das empresas familiares, quando relacionou a estrutura de capital com o desempenho econômico, conforme relatam os estudos de (Modigliani & Miller, 1958; Myers, 1984; Nakamura et al., 2007; Bastos & Nakamura, 2009). Por fim, os achados de Bastos, Nakamura e Basso (2009) corroboram com o estudo, visto que os resultados obtidos também demonstram que os fatores macroeconômicos não se apresentam de forma relevante, no caso deste estudo para determinar a eficiência no desempenho econômico das empresas familiares. Esta pesquisa contribuiu com a mensuração da eficiência no desempenho econômico das empresas familiares brasileiras e chilenas, visto que os estudos realizados até o momento não investigaram estrutura de capital, desempenho econômico e eficiência de empresas familiares de forma conjunta. A contribuição deste estudo também se da pelas características que as empresas familiares apresentam, considerando que estas estimam os retornos de longo prazo, buscando sua permanência no mercado, de forma competitiva, focadas na eficiência.
Referências bibliográficas: Altman, E. I. (1968). Financial ratios, discriminant analysis and the prediction of corporate bankruptcy. The journal of finance, 23(4), 589-609.
Beaver, W. H. (1966). Financial ratios as predictors of failure. Journal of accounting research, 71-111.
Donnelley, R. G. (1967). A empresa familiar. Revista de administração de empresas, 7(23), 161-198.
Forte, D., Barros, L. A., & Nakamura, W. T. (2013). Determinants of the capital structure of small and medium sized Brazilian enterprises. BAR-Brazilian Administration Review, 10(3), 347-369.
Martínez, J. I., Stöhr, B. S. & Quiroga, B. F. (2007). Family ownership and firm performance: Evidence from public companies in Chile. Family Business Review, 20(2), 83-94.
Modigliani, F. & Miller, M. H. (1958). The cost of capital, corporation finance and the theory of investment. The American economic review, 48(3), 261-297.
Myers, S. C. & Majluf, N. S. (1984). Corporate financing and investment decisions when firms have information that investors do not have. Journal of financial economics, 13(2), 187-221.
Nakamura, W. T., Forte, D., Martin, L., Manoel, D., Da Costa, F., Castilho, A. & Do Amaral, A. C. (2007). Determinantes de estrutura de capital no mercado brasileiro-análise de regressão com painel de dados no período 1999-2003. Revista Contabilidade e Finanças. USP, São Paulo, (44), 72-85.
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