Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
Anais do
13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º 2016
Página inicial Voltar para a página anterior Fale conosco

RESUMO DO TRABALHO

Abrir
Arquivo

Clique para abrir o trabalho de código 249, Ã�rea Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Código: 249

Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Título: PERFORMANCE DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS: Um Estudo de Desempenho após Processos de Combinação de Negócios que geraram Goodwill

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Visto a dinâmica da economia mundial nos últimos anos, é possível observar a importância dos processos de Combinações de Negócios no que diz respeito a adoção de estratégias competitivas. Segundo dados da KPMG (2015) nas duas últimas décadas, realizaram-se mais de 9.821 processos que resultaram na movimentação de volumes gigantescos de recursos, sendo uma parcela significativa correspondente ao ágio gerado nesses processos. No entanto, apesar do volume crescente ainda se fazem necessários alguns questionamentos a respeito da rentabilidade e dos resultados que esses processos geram. Alguns autores apontam em seus estudos que os trabalhos encontrados na literatura sobre o desempenho pós combinação não apresentam uma harmonização dos resultados que possa inferir se esses processos acarretam em melhorias ou prejuízos para as empresas. Camargos e Barbosa (2010) observam que, na literatura nacional e na internacional, não foi possível identificar algum motivo ou teoria capaz de explicar os resultados de uma combinação. Ainda não se chegou a um consenso a respeito de que esses processos geram melhora no desempenho das empresas envolvidas. Diante dessa fragilidade, o problema da pesquisa se concentra no questionamento: Qual o desempenho econômico-financeiro das instituições financeiras que passaram por combinação de negócios que apresentaram goodwill? Sendo assim, este estudo tem por objetivo identificar se os processos de combinações de negócios que geraram goodwill resultaram em melhorias no desempenho econômico-financeiro das instituições financeiras listadas na BM&FBovespa.

Base da plataforma teórica:
A reorganização societária está entre os mais importantes eventos corporativos do mercado de capitais, vista como estratégia para atingir os objetivos da organização (Bonachi; Marra; &Shalev, 2015; Ashfaq, 2014). Com base na teoria das finanças, Camargos e Barbosa (2010) observam que a combinação de negócios está dentro das decisões de investimento, com o intuito de promover a expansão, a diversificação e o crescimento dos negócios; mas, por outro lado, pode resultar na destruição da riqueza dos acionistas, devido a erros de avaliação, custos de transação muito elevados, questões da adaptação da cultura organizacional, entre outros. Para evitar resultados negativos numa reorganização, é necessário observar, primeiramente, duas variáveis: (a) a destinação dos lucros; e (b) o financiamento (os recursos que serão usados, seja por meio de reservas, de lucros ou de emissão de ações, ou mediante empréstimos) para custeamento do processo. Estas duas varáveis são determinantes para o bom desempenho de uma combinação. Outro aspecto importante das combinações de negócio é a criação de sinergias, que são uma das principais motivações para se ocorrer um processo. As sinergias podem ser: (a) operacionais, quando envolve economias de escala, melhorias de eficiência, maior poder de mercado e aumento de potencial de ganho; ou (b) financeiras, advindas de benefícios fiscais, como isenções e compensações autorizadas por lei, planejamento tributário para redução de encargos, além de uma melhor estrutura de capital (Bomfim, 2014; Camargos & Barbosa, 2005). De acordo com literatura as reorganizações societárias são justificadas, do ponto de vista teórico, com base em teorias relacionadas ao crescimento das empresas. A principal teoria que dá suporte as combinações é a Teoria da Firma, mas também a Teoria da Agencia e das Hipóteses de Sinergias. (Kloeckner, 1994; Bomfim, 2014). Em suma, essas teorias que justificam os motivos para as realizações de combinações estão associadas a criação de valor, seja financeiro ou operacional, seja para os acionistas ou para os gestores, o objetivo é o crescimento/aumento do tamanho da firma. Essa criação de valor tão almejada nos processos de reorganização societária muitas vezes é influenciada pelos ativos intangíveis envolvidos nessas transações, em especial o Goodwill. O goodwill é classificado como um ativo intangível, ele representa a expectativa que a companhia tem de gerar benefícios econômicos futuros.

Método de investigação:
A metodologia empregada no estudo classifica-se como uma pesquisa descritiva, com delineamento documental, de natureza quantitativa. A amostra foi composta por companhias de capital aberto que integram o setor financeiro que realizaram combinações de negócios no período de 2008 a 2014. As informações foram coletadas no sitio da BM&FBovespa por meio das notas explicativas e das demonstrações financeiras anuais, onde foram identificadas as companhias que realizaram reorganizações societárias em que foi reconhecido o goodwill, compondo uma amostra inicial de 20 empresas, sendo que três destas foram excluídas por não apresentarem dados suficientes para a análise. Os dados para a avaliação do desempenho foram coletados na base do Economática, utilizou-se os dados anuais e consolidados. A análise realizada foi de um período anterior e um período posterior à divulgação/início da realização da combinação de negócios (2 anos antes e 2 anos após), obtendo-se uma média da cada variável que foram comparadas estatisticamente nesses dois períodos através do teste Wilcoxon Signed Test Rank, conforme metodologia utilizada no estudo de Camargos e Barbosa (2010). O teste Wilcoxon é um teste não paramétrico que verifica as hipóteses de um determinado evento, por meio de pares de varáveis aleatórias, como no caso das médias antes e depois de um fenômeno que neste estudo é a combinação. As variáveis utilizadas para avaliação foram os indicadores de liquidez e estrutura de capital para demonstrar a situação financeira das companhias, e de rentabilidade e de sinergias para apresentar a situação econômica e o crescimento da companhia.

Resultados, conclusões e suas implicações:
A análise dos dados permitiu identificar os seguintes resultados: as situações financeiras das empresas após a reestruturação passaram por um desgaste, devido à piora da liquidez, e, mesmo com a melhora dos indicadores de estrutura de capital, as instituições ainda apresentam um cenário que oferece riscos, uma vez que apresenta uma elevada participação de capital de terceiros em seus patrimônios. Os índices que apresentaram-se significativos ao teste de Wilcoxon foram a LG (Liquidez Geral) e o CE (Composição do Endividamento), com nível de significância de 1%. Com relação à rentabilidade das empresas após a combinação, foi possível visualizar uma discreta melhora da eficiência operacional das instituições por meio do retorno sobre o ativo (ROA), que ainda está baixo. Quanto ao retorno para os acionistas, medido por meio do ROE (Rendimento sobre o PL), apresentou uma variação negativa após os processos, ou seja, os rendimentos dos acionistas não cresceram na mesma proporção que a rentabilidade da empresa. O LPA (Lucro por Ação) evidenciou uma melhora significativa com relação ao período anterior, ele representa a remuneração de cada ação no período. Apesar de o LPA ter aumentado, o PAYOUT diminuiu, o que indica que essa rentabilidade não foi passada para os acionistas. Os índices significativos ao teste de Wilcoxon foram: a LPA e o PAYOUT, a um nível de significância de 5%. Ao se observarem os índices de MB (Margem Bruta), MO (Margem Operacional), ML (Margem Líquida) e EA (Eficiência Administrativa) obteve-se (sem significância estatística) a criação de sinergias, visto que as variações destas foram positivas, com exceção da MB, que apresentou uma redução leve. Sendo assim, pode-se dizer que a situação econômica, operacional e gerencial das empresas melhora após a combinação de negócios. O tamanho da empresa aumentou significativamente, segundo o teste Wilcoxon, a um nível de 1%, resultando em um maior poder de mercado da empresa. Com base nestes resultados pode-se inferir que o aumento da rentabilidade gerado nestas combinações num primeiro momento é utilizado para pagamento de dívidas e financiamento como é possível identificar através dos indicadores de liquidez e endividamento, mas que posteriormente, a longo prazo, esta rentabilidade tende a ser repassada aos seus acionistas. Subentende-se que assim como é tratado pelas teorias, as combinações buscam a maximização dos lucros como é o caso do aumento da rentabilidade, mas também a maximização da utilidade gerencial uma vez que a prioridade é a estabilização do equilíbrio financeiro e operacional das companhias e não o retorno imediato aos acionistas. Com relação a outros estudos a cerca da temática, os resultados obtidos não apresentam grandes variações, mesmo a amostra sendo formado apenas por processos que geraram o goodwill.

Referências bibliográficas:
Ashfaq, K. (2014). Investigating the impact of merger & acquisition on post merger financial performance (relative & absolute) of companies (evidence from non-financial sector of Pakistan). Research Journal of Finance and Accounting, v. 5, n. 13.Bomfim, E. T. (2014). Performance de empresas brasileiras: avaliação do efeito provocado por operações de fusões e aquisições. Dissertação (Mestrado em Contabilidade) – Programa Multiinstitucional e Inter-regional de Pós-graduação em Ciências Contábeis da Universidade de Brasília, Universidade Federal da Paraíba, Universidade Federal do Rio Grande do Norte.Bonacchi, M.; Marra, A.; &Shalev, R. (2015). Fair value accounting and firm indebtedness: evidence from business combinations under common control. [s.n], mar. Camargos, M. A.; &Barbosa, F. V. (2005). Análise de desempenho econômico-financeiro e da criação de sinergias em processos de fusões e aquisições do mercado brasileiro ocorridos entre 1995 e 1999. Caderno de Pesquisas em Administração, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 99-115, abr./jun. Camargos, M. A.; &Barbosa, F. V. (2010). Fusões e aquisições de empresas brasileiras: sinergias operacionais, gerenciais e rentabilidade. Revista Contabilidade Vista & Revista, Belo Horizonte, v. 21, n. 1, p. 69-99, jan./mar. Kloeckner, G. O. (1994). Fusões e aquisições: motivos e evidência empírica. Revista de Administração, v. 29, n. 1, p. 42-58. KPMG. (2015). Pesquisa de fusões e aquisições 2014 – 4º trimestre. São Paulo.

 

Logos dos Patrocinadores
Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016