Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
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Código: 272

Área Temática: Área VI: Educação

Título: Conhecimentos, Habilidades e Atitudes Desenvolvidas Pelos Discentes Através da Aplicação da Metodologia de Projetos: Um Estudo de Caso na Disciplina Orçamento Empresarial

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Diante do rápido crescimento de demandas sociais, aliado à necessidade de adaptar-se a ambientes intensamente permeados por novas tecnologias da informação e comunicação, pode-se afirmar que o futuro das organizações depende da capacidade de conceber, planejar, executar, acompanhar e avaliar atividades orientadas para projetos (Moura & Barbosa, 2006). Dessa forma, Prado (2011), descreve que a Metodologia de Projetos (MP) é uma prática inovadora no contexto da educação profissional brasileira, com o propósito de tornar mais efetivo o processo de desenvolvimento dos indivíduos para as exigências do mercado de trabalho, que sofreu e vem sofrendo muitas modificações. Em face à possibilidade da abordagem de uma nova prática pedagógica crítica, em contraponto à visão conservadora de aulas tradicionais restritas à cópia e à memorização no ensino superior, conforme descrito por Andreoli, Behrens e Torres (2012), o presente estudo tem como objetivo identificar as competências, habilidades e atitudes desenvolvidas pelos discentes através da MP como uma proposta de ensino-aprendizagem na disciplina Orçamento Empresarial, do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A presente pesquisa justifica-se pela contribuição à melhoria do ensino de contabilidade, tendo em vista a utilização de uma nova prática pedagógica, que busca desenvolver as competências, habilidades e atitudes dos futuros profissionais contábeis. O estudo também justifica-se pela contribuição sugerida por Frezatti e Martins (2015), que evidenciaram a demanda por estudos que investigassem os benefícios e competências desenvolvidas pelas abordagens que compreendem o PBL no ensino da contabilidade, como o Cased-Based Learning ou Project-Based Learning.

Base da plataforma teórica:
As atividades baseadas em projetos têm sido objeto de crescente atenção e interesse na área das ciências humanas, em função das inúmeras possibilidades que oferecem para obtenção de resultados que ultrapassam as possibilidades das atividades de rotina (Moura & Barbosa, 2006). No Brasil, Espíndola (2009) evidencia que a MP foi introduzida em 1930 a partir do movimento Escola Nova, tendo como pressuposto o método de ensino “aprender fazendo”. Método este que objetiva superar a visão conteudista da educação tradicional, privilegiando, assim, um modelo que coloca em destaque atitudes, valores e competências relevantes para uma atuação profissional com desenvoltura, flexibilidade e criatividade (Prado, 2011). Segundo Bransford, Brown e Conking (2000), a capacidade dos discentes adquirirem novos conhecimentos melhora quando estes trabalham solucionando problemas e quando recebem ajuda para entender por que, quando e como esses fatos e conhecimentos são importantes. Nessa perspectiva, Martins (2002) descreve que os docentes não devem dar respostas ou solucionar os problemas encontrados pelos discentes, mas sim, orientá-los a investigar. Considerada por Frezatti e Martins (2015) como uma vertente do Problem-Based Learning (PBL), a MP também é caracterizada pela problematização na etapa inicial. De acordo com os autores, a MP desenvolve-se em função de um problema com situação geradora contextual ou teórica, devendo ser realizada em um período de 4 a 12 semanas, aonde o docente irá se colocar em uma postura de facilitador no processo de aprendizagem, definindo e justificando os objetivos a serem alcançados com o projeto, visando à elaboração de um produto final a ser apresentado à turma e/ou à sociedade. No presente estudo, a aplicação da MP visa despertar nos discentes a percepção da importância da elaboração dos projetos de orçamentos empresariais para a sua formação acadêmica, bem como o desenvolver a capacidade de tomada de decisões; resolução de problemas; trabalho em equipes; pensamento crítico; liderança; comunicação; planejamento; dentre outras que estão constantemente inseridas na rotina do profissional contábil, conforme Miranda (2010), Santos e Voese (2015) e Frezatti, Martins, Borinelli e Espejo (2014). Enquanto tradução monetária do planejamento, o orçamento empresarial é uma ferramenta gerencial responsável pela elaboração do planejamento e análise de desempenho das entidades, visando subsidiar aos gestores uma melhor informação para tomada de decisão. Para Welsch (2009), o orçamento trata-se de um plano elaborado pela administração com o intuito de compreender as operações de determinado período. Entre as funções do orçamento empresarial, Suave, Lunkes e Codesso (2013) destacam a previsão dos fluxos de caixa, dos resultados da empresa e da sua situação patrimonial, bem como a sua utilização para o controle desses aspectos, visando que os objetivos estabelecidos pela empresa sejam cumpridos. A estrutura básica do orçamento é formada pelas avaliações financeiras dos orçamentos realizados para cada unidade da empresa, abrangendo o impacto das decisões financeiras e operacionais (Ferreira & Diehl, 2012). A sua elaboração inicia-se pelas premissas orçamentárias, que são diretrizes que possibilitam traçar novas metas para a empresa. Após definidas as premissas, a próxima etapa consiste na elaboração do orçamento. Frezatti (2015) segmenta o processo em três etapas, sendo elas: (i) Etapa operacional; (ii) Etapa financeira: e (iii) Etapa de controle orçamentário.

Método de investigação:
O estudo foi realizado na UFRN, durante os meses de agosto a dezembro de 2015. A amostra é composta por 54 discentes matriculados na disciplina Orçamento Empresarial do 8º período do Curso de Ciências Contábeis. Após a proposta de elaboração do Orçamento Empresarial através da MP, a fim de identificar os conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidos pelos discentes, foram aplicados questionários segregados em três blocos: (i) perfil dos respondentes (gênero, faixa etária, atuação profissional na área contábil e quantidade de horas semanal de estudo extraclasse); (ii) processo de ensino-aprendizagem (principais métodos de ensino utilizados pelos docentes durante a graduação e percepção acerca da figura do docente no processo de ensino-aprendizagem) e; (iii) aprendizagem baseada em projetos (conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas pelos discentes com a aplicação da MP, bem como os benefícios e a importância de cursar a disciplina utilizando o método). Na elaboração do questionário, utilizou-se a métrica de ranking para verificar os principais métodos de ensino utilizados durante a graduação; os conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas com a aplicação da metodologia de projetos; bem como os benefícios proporcionados pela utilização do método. As posições ocupadas no ranking foram definidas a partir da pontuação obtida por cada alternativa, levando em consideração que os pontos atribuídos por cada discente não podiam repetir-se em mais de uma opção. Já a métrica Likert de cinco pontos foi utilizada para investigar a importância de cursar a disciplina utilizando o método. Além das questões elaboradas pelos autores, também foram adaptados questionamentos sobre os principais métodos utilizados pelos professores da graduação, com base em Marion (2001) e Leal e Cornacchione (2006), bem como sobre os conhecimentos, habilidades e atitudes requisitadas dos profissionais contábeis, com base em Cardoso, Souza e Almeida (2006), Miranda (2010), Santos e Voese (2015) e Frezatti et al (2014). As questões do terceiro bloco, acerca dos benefícios da abordagem de aprendizagem ativa, foram adaptadas com base em Hadgraft (1998), Ribeiro (2005) e Enemark e Kjaersdam (2009). Os dados coletados foram tabulados através do programa Microsoft Excel 2103 ®, para que, posteriormente, fosse realizada a análise descritiva do estudo.

Resultados, conclusões e suas implicações:
Através da identificação do perfil dos respondentes, observa-se que há um equilíbrio entre respondentes dos gêneros masculino e feminino, tendo em vista que ambos apresentaram um percentual de 50%. Em relação às faixas etárias, identifica-se que 67% dos respondentes têm idade entre 20 e 25 anos, 24% têm entre 26 e 31 anos e os que têm acima de 32 anos compõem 10% da amostra. Em seguida, foi investigado se os discentes desenvolvem atividades profissionais na área contábil. Dessa maneira, identificou-se que a maioria dos respondentes atua profissionalmente na área, representando 56% da amostra. Entre os respondentes que desenvolvem atividades na área contábil, 30% atuam no campo da contabilidade fiscal, 23% na contabilidade societária e 20% na contabilidade governamental. Os campos que apresentaram um menor índice de atuação foram auditoria e perícia contábil, com percentuais de 3% cada. Considerando que a aplicação da metodologia de projetos requisita horas de estudo e preparação extraclasse, verifica-se que a maioria dos discentes pratica entre 1 a 5 horas de estudos extraclasse semanalmente, tendo em vista que 35% dos respondentes afirmaram estudar de 1 a 2 horas e 33% de 3 a 5 horas. Os respondentes que praticam de 5 a 10 horas representam 11% da amostra. O segundo bloco de questões teve por finalidade identificar a percepção dos respondentes acerca da figura do docente no processo de ensino-aprendizagem, bem como os principais métodos utilizados pelos docentes ao longo do curso de graduação. Nesse sentido, os respondentes apontaram que tiveram um maior contato durante a graduação com o método expositivo, resolução de exercícios, e seminários. Este resultado corrobora com o achado de Oliveira (2014), que descreve que estes também são os principais métodos utilizados pelos docentes do curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Paraná, com base na percepção dos alunos. Quanto à percepção dos respondentes acerca da figura do docente no processo de ensino-aprendizagem, observa-se que todos os respondentes identificaram a visão fornecida pela MP, onde o papel do docente é atuar como facilitador no processo de transmissão de conhecimento, com o ensino centrado no aluno. Em seu terceiro bloco, o questionário buscou investigar quais as atitudes, habilidades e conhecimentos desenvolvidos pelos discentes, como também os benefícios percebidos por esses ao se ter uma abordagem mais ativa no processo de ensino-aprendizagem. Na perspectiva de Silva e Mendonça (2005), os projetos de ensino devem ser sintonizados com o perfil profissional. Dessa forma, percebe-se que os conhecimentos desenvolvidos com a aplicação da MP permeiam a área de atuação dos discentes, conforme, considerando que os conhecimentos na área contábil, gerencial e de finanças foram os que obtiveram melhor colocação no ranking. Observa-se que as principais habilidades desenvolvidas pelos discentes, com a utilização da MP, foram: o trabalho em equipe, o planejamento, a visão sistêmica e a capacidade de criatividade e inovação. Dentre as atitudes aprimoradas pelos discentes, destacam-se o comprometimento, pró-atividade, respeito pelas opiniões dos outros e experiência profissional. Quando questionados se consideram importante ter cursado a disciplina utilizando a metodologia de projetos, percebe-se que a maioria dos discentes concorda totalmente com a relevância da utilização de métodos mais ativos, que permitem a integração entre a teoria e prática. Em relação aos benefícios da utilização da MP, observa-se que os discentes descreveram, em sua maioria, que o método proporciona o desenvolvimento de raciocínio crítico e criativo. Esta evidência está de acordo com Silva (2006), que afirma que os formandos em contabilidade devem ter, além do conhecimento técnico, habilidade para aplicá-lo de forma analítica e prática. Em síntese, o presente estudo acrescenta uma contribuição às pesquisas que investigam os conhecimentos, habilidades e atitudes desenvolvidas a partir de metodologias ativas, que visam à melhoria do ensino de contabilidade, conforme demandado pela literatura.

Referências bibliográficas:
Andreoli, F. N., Behrens, M. A., & Torres, P. L. (2012). Metodologia de projeto no paradigma da complexidade aplicada em disciplina de curso superior. Revista Contrapontos, 12(2), 179-188. Frezatti, F., & Martins, D. B. (2015). PBL ou PBL’s: a customização do mecanismo na educação contábil. Anais eletrônicos do Congresso da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Ciências Contábeis - ANPCONT, Curitiba, PR, Brasil, 9. Recuperado em 21 dezembro, 2015, de http://congressos.anpcont.org.br/ix/anais/files/2015-05/epc283.pdf Frezatti, F., Martins, D. B., Borinelli, M. L., & Espejo, M. M. dos S. B. (2014). Análise do desempenho de alunos na perspectiva do CHA em disciplina utilizando PBL: o que significa a síntese? Anais eletrônicos do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, São Paulo, SP, Brasil, 14. Recuperado em 12 outubro, 2015, de http://congressousp.fipecafi.org/web/artigos142014/375.pdf Miranda, C. S. (2010). Ensino em contabilidade gerencial: uma análise comparativa de percepções de importância entre docentes e profissionais, utilizando as dimensões de atividades, artefatos e competências. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil. Oliveira, R. M. (2014). Problem based learning como estratégia de ensino: diagnóstico para a aplicabilidade no curso de ciências contábeis da Universidade Federal do Paraná. Santos, E. A., & Voese, S. B. (2015). O que o mercado de trabalho nos diz? Uma análise das competências e atribuições do profissional atuante na área de contabilidade gerencial no Brasil. Anais eletrônicos do Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, São Paulo, SP, Brasil, 15. Recuperado em 17 outubro, 2015, de http://www.congressousp.fipecafi.org/web/artigos152015/225.pdf Suave, R., Lunkes, R. J., & Codesso, M. M. (2013). Análise das características da produção científica sobre orçamento em revistas brasileiras. Revista de Administração e Negócios da Amazônia, 5(1), 85-102. Prado, F. L. (2011). Metodologia de projetos. São Paulo: Saraiva.

 

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