Anais do 16º International Conference in Accounting - 16º  2016
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RESUMO DO TRABALHO

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Código: 288

Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Título: Value Relevance do Nível de Disclosure das Combinações de Negócios e do Goodwill Reconhecido nas Companhias de Capital Aberto Brasileiras

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Este trabalho tem como objetivo verificar o value relevance do nível de disclosure das combinações de negócios e do ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) reconhecido nas companhias de capital aberto brasileiras. A amostra de pesquisa é composta pelas companhias de capital aberto brasileiras que realizaram alguma combinação de negócio no período entre 2010 e 2013 e tiveram o papel de adquirente na transação, perfazendo uma amostra de 202 observações. Para mensurar o nível de disclosure, foi elaborada uma métrica a partir do CPC-15 R1 (2011) realizando a abertura de alguns itens de divulgação a fim de alcançar um maior detalhamento das informações. A coleta dos dados foi por meio das notas explicativas integrantes das Demonstrações Financeiras Padronizadas (DFPs) anuais disponibilizadas no website da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&BOVESPA). Os resultados demonstraram que o nível de disclosure das combinações de negócios é positivamente e significativamente relacionado com o preço das ações das companhias de capital aberto brasileiras analisadas. Já o goodwill reconhecido nas combinações de negócios, embora em média apresente um valor significativo na transação, não demonstrou significância estatística para explicar o preço das ações. Vale ressaltar também que a média do nível de disclosure identificado nas notas explicativas da amostra analisada nesta pesquisa foi muito baixa, indicando que as companhias precisam melhorar no que tange a transparência das informações.

Base da plataforma teórica:
Healy, Palepu e Ruback (1992) analisaram a atuação no momento posterior a realização de combinações de negócios nas 50 maiores fusões e incorporações realizadas nos Estados Unidos (EUA) entre os anos de 1979 e 1984. Os autores demonstraram que as empresas obtiveram melhorias no desempenho pós-combinação de negócios, os resultados revelaram melhores índices de produtividade e aumentos nos retornos de fluxo de caixa operacional. Baboukardos e Rimmel (2014) explicam que as combinações de negócios são operações nas quais um adquirente obtém o controle de um ou mais negócios independente da existência de contraprestação. Nos casos em que há uma contraprestação em troca do controle, ela pode ser por meio de pagamento ou promessa de pagamento em dinheiro ou ações. Por outro lado, nas situações em que não existe contraprestação a cumprir por parte do adquirente, a transação é realizada por meio unicamente contratual. São exemplos de combinações de negócios: as fusões, incorporações e aquisições realizadas entre empresas. Os motivos para a realização das combinações de negócios variam de empresa para empresa, mas autores como Godoy e Santos (2006) resaltam a sinergia que resulta dessas transações, discorrendo que as constantes mutações ocorridas no mercado interno e externo, bem como a rapidez em que surgem novos mercados a explorar, tornam as fusões e aquisições de empresas, muitas vezes, o meio mais rápido e eficiente para se chegar a mercados mais desenvolvidos. Nesse ambiente econômico em que as empresas buscam se fortalecer por meio de realização de combinações de negócios, Shalev (2009) destaca, em seu trabalho, a importância da adequada evidenciação (disclosure) das informações pertinentes a essas transações nos relatórios contábeis divulgados aos usuários externos. Shalev (2009) argumenta que a magnitude dos reflexos e impactos econômicos que as combinações de negócios podem causar no país coloca em evidência a importância do adequado disclosure, considerando que em grande parte dos casos, essas transações envolvem significativas quantias em dinheiro e relevante repercussão social, considerando que colaboradores e sociedade serão afetados. No Brasil o pronunciamento contábil CPC-15 (R1, 2011), correlacionado a norma internacional IFRS 3, determina as exigências de divulgação pertinentes as combinações de negócios realizadas no Brasil. Porém, conforme ressaltam Baboukardos e Rimmel (2014), a norma IFRS 3 é considerada uma das mais complexas do conjunto de normas internacionais. A complexidade da norma IFRS 3 começa pelo método de aquisição que exige a utilização do valor justo (fair value) na mensuração dos ativos e passivos da adquirida (Dorata & Zaldivar, 2010; Mario et al., 2011; Baboukardos & Rimmel, 2014), determinando também que os intangíveis identificáveis, passivos adquiridos, goodwill ou ganho por compra vantajosa sejam reconhecidos na data de aquisição. Dessa maneira, em uma combinação de negócios o adquirente deve realizar a avaliação do valor justo dos ativos líquidos da adquirida (ativos e passivos a valor justo, incluindo os passivos contingentes) e também deve reconhecer os intangíveis identificáveis que antes não constavam no balanço da adquirida. A diferença entre o valor pago pela aquisição do controle, o valor dos ativos líquidos da adquirida a valor justo e o valor dos intangíveis identificáveis reconhecidos constitui o goodwill (Samkin & Deegan, 2010; Giuliani & Brännström, 2011; Detzen & Zülch, 2012; Martins, Gelbcke, Santos, Iudícibus & 2013).

Método de investigação:
O presente estudo enquadra-se como exploratório-descritivo e, no que concerne à abordagem do problema, engloba avaliações de cunho quantitativo e qualitativo, considerando que foram utilizadas ferramentas estatísticas para responder o problema de pesquisa, mas também foi realizada a análise qualitativa do disclosure nas notas explicativas das companhias. O estudo se enquadra no conceito de pesquisa documental. Para atender os objetivos desta pesquisa, foi necessário medir o nível de disclosure das companhias abertas brasileiras que realizaram alguma combinação de negócios no período entre 2010 e 2013. A obtenção dos dados para cálculo do índice para medir o nível de evidenciação foi por meio das notas explicativas publicadas pelas companhias, respeitando em cada caso, o respectivo ano em que ocorreu cada combinação de negócios. Dessa maneira, se uma combinação de negócios foi realizada em 15 de outubro de 2010, a análise do nível de disclosure foi verificada nas notas explicativas integrantes das demonstrações financeiras padronizadas (DFPs) relativas ao exercício social findo em 2010. Todos os respectivos dados relativos a essa combinação também respeitaram esse critério. A amostra de pesquisa é constituída por todas as companhias de capital aberto brasileiras que atendem no conjunto as três condições a seguir: i) realizou combinação de negócios em algum dos anos compreendidos no período entre 2010 e 2013; ii) em que houve transferência de controle na referida transação; e iii) a empresa teve o papel de adquirente na transação realizada. Com base nesses critérios foram identificadas 202 observações de combinações de negócios que constituíram o objeto de estudo no presente trabalho. Para atingir o objetivo da pesquisa foi utilizado um modelo de regressão linear múltipla. A variável dependente está representada pelo preço da ação (Preço). O conjunto das variáveis explicativas é composto pelo nível de disclosure da combinação de negócios, goodwill por ação, intangível identificável por ação, lucro por ação (LPA) e patrimônio líquido por ação (VPA). Todas as variáveis utilizadas estão devidamente justificadas na versão completa do trabalho.

Resultados, conclusões e suas implicações:
O “valor p” do modelo resultou em 0,000 demonstrando que ele é significativo ao nível de 1%, ou seja, em conjunto as variáveis explicativas que compõem o modelo são significativas para explicar a variável dependente “preço da ação”. O valor do R² indica que 14,10% das variações no preço das ações das companhias de capital aberto brasileiras que realizaram combinações de negócios no período entre 2010 e 2013 podem ser explicadas por um modelo envolvendo as variáveis: nível de disclosure da combinação de negócios realizada no ano, goodwill por ação, intangível identificável por ação, goodwill relativo, lucro por ação e patrimônio líquido por ação. Entretanto, realizando a análise individual relativa ao poder explicativo de cada variável componente do modelo, apenas o “nível de disclosure da combinação de negócios realizada no ano” e o “patrimônio líquido por ação” são significativos ao nível de 5%, para explicar a variável dependente “preço da ação”. Ambas possuem uma associação positiva com o preço da ação. O que sugere que quanto maior o nível de disclosure e o patrimônio líquido por ação maior o preço atribuído à ação. Ressalta-se que a variável “nível de disclosure da combinação de negócios realizada no ano” apresentou significância ao nível de 1%, corroborando a hipótese 1 levantada nesta pesquisa. Por outro lado, a hipótese 2 foi refutada, visto que a variável “goodwill por ação” não se mostrou significativa no modelo de regressão. O resultado do modelo de regressão também permite observar que a variável “lucro por ação” se mostra significativa ao nível de 10%, com um coeficiente positivo, o que sugere que quanto maior o lucro por ação maior o preço da ação. O maior poder explicativo do patrimônio líquido por ação em relação ao lucro por ação corrobora os resultados já demonstrados na pesquisa Lopes (2002b), o referido autor explica que tal resultado pode ter relação com o fato de no Brasil a maioria das empresas possuírem estrutura de controle acionário concentrado e que pode afetar a relevância do lucro líquido. As variáveis “intangível identificável por ação”, e “goodwill relativo” apresentaram coeficiente negativo, o que poderia sugerir que quanto maior o valor dessas variáveis menor seria o preço da ação, todavia, ambas não demonstraram significância estatística no modelo, dessa maneira, os resultados dessa pesquisa não suportam essas inferências acerca dessas duas variáveis. Quanto as principais conclusões da pesquisa: Em relação ao value relevance do disclosure das combinações de negócios realizadas pelas companhias brasileiras, os resultados demonstraram que os investidores tendem a valorizar as empresas que fornecem mais informações sobre a transação realizada, confirmando a hipótese H1 desta pesquisa. Os resultados sugerem que as ações das empresas que apresentam um melhor nível de divulgação, em média, tendem a ser mais valorizadas pelos investidores. Estes resultados condizem com os achados de Hassan e Mohd-Saleh (2010). Em relação ao value relevance do goodwill reconhecido nas combinações de negócios, a hipótese H2 foi refutada, os resultados sugerem que o valor do goodwill reconhecido na combinação de negócios não é relevante para explicar o preço das ações no Brasil. Esse resultado pode ter relação com o baixo nível de evidenciação do goodwill no Brasil. O nível médio de disclosure das combinações de negócios no Brasil é baixo, não sendo suficiente para proporcionar uma visão adequada dos métodos utilizados e dos referidos ativos adquiridos nas combinações de negócios, dessa maneira, os investidores parecem valorizar as companhias que apresentam uma maior transparência. Contudo, é importante ressaltar que os resultados do presente estudo se limitam a amostra e período analisados não podendo ser generalizados para outras companhias ou períodos diferentes. Estudos posteriores poderão abranger outras companhias e períodos de análise, bem como analisar a evidenciação obrigatória de outras normas contábeis.

Referências bibliográficas:
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