Anais do 16º International Conference in Accounting - 16º  2016
Anais do 16º International Conference in Accounting - 16º  2016
Anais do
16º International Conference in Accounting - 16º 2016
Página inicial Voltar para a página anterior Fale conosco

RESUMO DO TRABALHO

Abrir
Arquivo

Clique para abrir o trabalho de código 316, Ã�rea Temática: Área IV: Contabilidade Gerencial

Código: 316

Área Temática: Área IV: Contabilidade Gerencial

Título: Comportamento Assimétrico dos Custos de Empresas dos Países que Compõe o PIIGS: Uma Análise nos Períodos Pré-Crise e Pós-Crise Financeira de 2008

Resumo:
Propósito do Trabalho:
A partir de uma ampla análise a respeito do comportamento dos custos nas organizações, Anderson, Banker e Janakiraman (2003) conseguiram comprovar que os custos não se alteram na mesma intensidade que as receitas obtidas pelas empresas. De tais evidências surgiu a abordagem teórica denominada sticky costs, que tem estimulado o interesse de pesquisadores em todo o mundo. Diferentes fatores têm sido abordados na literatura para avaliar o comportamento assimétrico dos custos. No entanto, poucos estudos investigam tal comportamento observando os efeitos dos períodos de pré-crise e pós-crise. Conforme Vidal (2011), as turbulências causadas pelas crises financeiras em todo o mundo, levam os estudiosos a analisarem os impactos das mesmas. Neste sentido, surgem os PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Portugal e Espanha), termo utilizado após a crise de 2008 para se referir a um grupo de países europeus que apresentaram sérios problemas econômicos, causados pelos altos déficits que ocorrem no momento em que o país gasta mais do que arrecada (Bartokova, 2012). Evidências encontradas na literatura têm chamado a atenção para a necessidade do desenvolvimento de estudos sob a perspectiva cross-countries, avaliando se os efeitos econômicos influenciam o comportamento assimétrico dos custos de maneira diferente entre as organizações (Banker et al., 2014; Pamplona, Fiirst, Silva, & Zonatto, 2016). Com base nesta lacuna de pesquisa, emerge-se a seguinte questão de pesquisa: Qual o comportamento dos custos de empresas dos países que compõem o PIIGS nos períodos pré-crise e pós-crise financeira de 2008? Logo, o objetivo do estudo é analisar o comportamento dos custos de empresas dos países que compõem o PIIGS nos períodos pré-crise e pós-crise financeira de 2008.

Base da plataforma teórica:
Estudos sobre o comportamento dos custos ganharam maior notoriedade a partir da pesquisa desenvolvida por Noreen e Soderstrom (1994), quando afirmaram que os custos possuem comportamento assimétrico e, assim, variam em maior intensidade quanto do aumento do nível de atividades do que em sentido contrário, isto é, com relação à diminuição do grau de atividades. Mesmo com as prerrogativas dadas por Noreen e Soderstrom (1994), diversos pesquisadores acreditavam ainda no modelo de comportamento dos custos tradicional, defendendo que o comportamento dos custos é similar em acréscimos e decréscimos de receitas, ou seja, os custos variam de forma proporcional quando as receitas aumentam ou reduzem em uma organização. Anderson et al. (2003), em um amplo estudo com empresas americanas, comprovaram empiricamente que os custos variam de forma assimétrica, corroborando com os achados seminais de Noreen e Soderstrom (1994) e indo de encontro ao pensamento defendido por estudiosos tradicionais de custos. De fato, a pesquisa de Anderson et al. (2003) alavancou uma série de estudos sobre o assunto, que foi denominado de sticky costs. Calleja et al. (2006) destacam que uma importante hipótese para a assimetria dos custos é que no momento em que há contratos firmados, muitas vezes os gerentes das empresas não conseguem encerrar ou então renegociar os termos. Quando o fazem, passam a se tornar caros em função das multas contratuais. Diante disso, os gerentes podem optar em reter recursos ao invés de incorrer em custos de rompimento de contratos, ocasionando a assimetria nos custos, corroborando com a abordagem dos “sticky costs”. De acordo com Banker et al. (2013), muitos custos surgem como resultado de decisões feitas pelos gestores. Contudo, é preciso uma análise cuidadosa do comportamento dos custos, não só em relação aos fatores específicos da empresa, mas também no que tange o nível de características estruturais dos países. Assim, cabe destacar que os PIIGS, que possuem economias altamente endividadas surgem como um cenário de intensa crise e, consequentemente, propício a pesquisas sobre o tema, visando analisar qual o comportamento dos custos das empresas em situações de declínio econômico. Mais especificamente, os países que compreendem o PIIGS ainda passam por um período de excessiva dívida, no qual o aumento do endividamento acaba provocando um impacto negativo na taxa de crescimento do PIB das economias (Boas, 2014). Por fim, Richartz e Ensslin (2013) destacam que surgiram diversos estudos a partir do comportamento dos custos sob a ótica sticky costs que buscaram contribuir ou aperfeiçoar o desenvolvimento dessa teoria, proposta por Anderson et al. (2003). Desta forma, este estudo visa contribuir para com o desenvolvimento da literatura testando o comportamento dos sticky costs pré e pós-crise, testando as seguintes hipóteses de pesquisa: H1: O comportamento dos custos das empresas que compõem o grupo PIIGS é assimétrico, sendo que o aumento dos custos mediante ao aumento da receita líquida de vendas é superior quando comparado com a redução dos custos em virtude de uma redução proporcional na receita líquida de vendas. H2: O comportamento dos custos das empresas que compõem o grupo PIIGS é assimétrico antes da crise financeira de 2008. H3: O comportamento dos custos das empresas que compõem o grupo PIIGS não é assimétrico no pós-crise de 2008.

Método de investigação:
Este estudo tem por objetivo analisar o comportamento assimétrico dos custos das empresas atuantes nos países que compõem o grupo PIIGS nos períodos pré-crise e pós-crise financeira de 2008 sob a ótica do sticky costs. Metodologicamente, o estudo configurou-se como descritivo quanto aos objetivos (Andrade, 2004), documental em relação aos procedimentos (Martins & Theóphilo, 2009) e quantitativo no que tange a abordagem do problema (Raupp & Beuren, 2006). A amostra do estudo ficou composta por 28 empresas de Portugal, 108 empresas da Itália, 8 empresas da Irlanda, 105 empresas da Grécia e 83 empresas da Espanha. O período analisado compreendeu aos anos de 2002 a 2014, sendo que o mesmo se justifica pela necessidade da realização de um corte entre o período no qual as empresas do PIIGS ainda não tinham sido afetadas pela crise financeira de 2008, isto é, do ano de 2002 ao ano de 2007, e o período após a crise, de 2009 a 2014. O modelo empírico utilizado para testar as hipóteses elaboradas no estudo e também o modelo utilizado para verificar se o crescimento do PIB e a inflação influenciam tal comportamento foram adaptados do modelo desenvolvido por Anderson, Banker e Janakiraman (2003). As informações para o cálculo dos Custos Totais e da Receita Líquida de Vendas foram coletadas da base de dados Thomson®, sendo que da mesma forma como realizado por Banker et. al. (2012), Richartz e Borget (2014) e Pamplona et al. (2016), tais informações foram ajustadas pela inflação para diminuir as distâncias temporais referentes aos dados quantitativos coletados. Tais informações para a variável inflação e crescimento do PIB foram coletados por meio do website do World Bank®. A técnica utilizada para responder a questão de pesquisa do estudo e testar as demais hipóteses do mesmo foi à regressão por meio de dados em painel, na qual se utilizou o software SPSS®.

Resultados, conclusões e suas implicações:
Os resultados encontrados evidenciaram que as empresas da Irlanda, Itália, Grécia e Espanha apresentaram comportamento assimétrico em seus custos totais quando analisado de forma geral (2002 – 2014) os períodos objetos de estudo. Estes resultados revelam que, nestes casos, o aumento dos custos diante do incremento da receita líquida de vendas em 1% foi maior do que a redução dos custos diante do decréscimo da receita liquida de vendas também em 1%, considerando-se todo o período analisado. Assim, corroboram para a confirmação da hipótese H1 do estudo para as empresas desses países. A hipótese H2, que pressupôs que em períodos em que as empresas dos países pertencentes ao grupo PIIGS não haviam sido afetadas pela crise, o comportamento dos custos destas empresas tenderiam a ser assimétrico, foi aceita com consistência apenas para as empresas italianas. Por outro lado, a hipótese H3 que sugeriu que o comportamento dos custos das empresas que compuseram a amostra deste estudo não seria assimétrico no período posterior a crise foi aceita com consistência apenas para as empresas de Portugal, da Grécia e também pelas empresas da Espanha. Estes resultados revelam que os efeitos dos diferentes períodos econômicos (pré-crise e pós-crise) impactaram de maneira distinta no comportamento assimétrico dos custos das empresas dos países do PIIGS. Investigando-se a influência do crescimento do PIB e da inflação no comportamento assimétrico dos custos das empresas pesquisadas, percebeu-se que no período total objeto de estudo (2002 - 2014), o crescimento do PIB influenciou o comportamento dos custos das empresas da Irlanda e que a taxa de inflação influenciou o comportamento nas empresas da Itália, Grécia e Espanha. Por outro lado, observando-se de forma separada os períodos pré-crise e pós-crise, percebeu-se que a influência destas variáveis foi destacada apenas no período pós-crise, sendo a influência do crescimento do PIB evidenciada nas empresas da Irlanda e a da taxa da inflação evidenciada nas organizações da Itália. Neste contexto, considerando-se os resultados encontrados nesta pesquisa, pode-se concluir que o comportamento assimétrico dos custos de empresas dos países que compõe o PIIGS não é uniforme, sendo impactado de maneira diferente pelos períodos pré-crise e pós-crise, o que também é observado em relação aos efeitos do crescimento do PIB e taxa de inflação. Esta pesquisa, apesar de suas contribuições em relação ao comportamento dos custos das empresas do PIIGS, possui limitações. Dentre estas se destaca principalmente que pode haver outras variáveis que influenciaram o comportamento dos custos nos países do PIIGS no período analisado que não foram utilizadas nesta pesquisa e que podem ser testadas posteriores em outros artigos. Para futuras pesquisas sugere-se a utilização de outras variáveis de controle que podem influenciar o comportamento dos custos das empresas, como por exemplo, contratos firmados pelas empresas, questões econômicas as quais as empresas estão inseridas e até mesmo questões relacionadas com o otimismo dos gestores. Além disso, recomenda-se verificar o comportamento dos custos em diferentes países, a fim de comparabilidade com este estudo.

Referências bibliográficas:
Anderson, M. C., Banker, R. D., & Janakiraman, S. N. (2003). Are selling, general, and administrative costs “sticky”?. Journal of Accounting Research, 41(1), 47-63. Banker, R. D., Byzalov, D., & Chen, L. T. (2013). Employment protection legislation, adjustment costs and cross-country differences in cost behavior. Journal of Accounting and Economics, 55(1), 111-127. Boas, B. M. N. V. (2014). Impacto da Dívida Pública no Crescimento Económico: uma abordagem aos PIIGS. Tese de doutorado, FEP Economia e Gestão, Faculdade de Economia da Universidade do Porto, Porto, Portugal. Calleja, K., Steliaros, M., & Thomas, D. C. (2006). A note on cost stickiness: Some international comparisons. Management Accounting Research, 17(2), 127-140. Noreen, E., & Soderstrom, N. (1994). Are overhead costs strictly proportional to activity?: Evidence from hospital departments. Journal of Accounting and Economics, 17(1), 255-278. Pamplona, E., FIIRST, C., Silva, T. B. de J., & Zonatto, V. C. da S. (2016). Behavior of costs focused on sticky costs of the largest companies in Brazil, Chile and Mexico between 2002 and 2013. Revista Contaduría y Administración, Disponível em: < http://www.cya.unam.mx/index.php/cya/article/view/1000/913>. Acessado em 01 de fevereiro de 2016. Richartz, F., & Borgert, A. (2014). O comportamento dos custos das empresas brasileiras listadas na BM&FBOVESPA entre 1994 e 2011 com ênfase nos sticky costs. Contaduría y Administración, 59(4), 39-70. Vidal, T. L. (2011). Crises financeiras: efeito contágio ou interdependência entre os países? Evidências utilizando uma abordagem multivariada. 173 f. 2011. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas)-FEA/USP Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil.

 

Logos dos Patrocinadores
Anais do 16º International Conference in Accounting - 16º  2016