Anais do 16º International Conference in Accounting - 16º  2016
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RESUMO DO TRABALHO

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Código: 83

Área Temática: Área VI: Educação

Título: Seguir ou não carreira na área de contabilidade? Um estudo com os alunos de uma IES paranaense sob o enfoque da Teoria do Comportamento Planejado

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos jovens no processo de tomada de decisão é a escolha da carreira profissional, muitas vezes definida pelo curso de graduação na qual o indivíduo pretende se especializar (Safta, 2015). Muitos jovens começam a fazer suas escolhas de carreira ainda cedo, garantindo o suprimento de muitas de suas dúvidas sobre o assunto até o momento da decisão propriamente dita Byrne, Willis e Burke (2012). No entanto, nem sempre o curso de graduação escolhido determina a carreira que ele irá seguir profissionalmente, uma vez que algumas pessoas optam por ocupações diferentes das opções possibilitadas pela grade curricular cursada na universidade, ou não seguem até o final do curso escolhido, acarretando em evasão acadêmica. Esses e outros aspectos dão origem a pesquisas empíricas que buscam entender e explicar os fatores que influenciam as pessoas na escolha da carreira. Como sustentação teórica deste estudo cita-se a Teoria do Comportamento Planejado (TCP) proposta por Ajzen (1991), que pode ser utilizada para investigar as intenções de comportamentos em geral. Neste contexto, o estudo tem como escopo identificar qual a intenção dos alunos do curso de ciências contábeis de uma universidade federal no estado do Paraná em seguir uma carreira na área de contabilidade, bem como os fatores influenciadores desta intenção. Esta pesquisa justifica-se pelo fato de que, uma vez identificados os fatores que levam os estudantes à escolha ou à rejeição de seguir uma das carreiras em ciências contábeis, os resultados poderão fornecer subsídios em relação aos aspectos que precisam ser melhorados para estimular o interesse nas diversas carreiras, não só a de contador.

Base da plataforma teórica:
A trajetória profissional de uma pessoa é marcada por uma decisão muito importante que é a escolha da profissão/carreira, sendo esse um processo que começa muito cedo na vida do indivíduo (Palos & Drobot, 2010). Safta (2015) coloca a escolha da profissão como um rito de passagem da adolescência à idade adulta, na qual os jovens devem projetar-se para construir a vida futura. Teixeira e Gomes (2005) enfatizam que na decisão de seguir determinada carreira, o indivíduo deve ter a capacidade de identificar seus interesses dentro da profissão, e para Alniaçik, Alniaçik, Akçin, e Erat (2012), o indivíduo se identifica com a carreira na medida em que há o envolvimento de trabalho organizacional e profissional, considerando o grau de imersão nas atividades vinculadas à sua função, demonstrando necessidade de avanço e promoção. No entanto, nem sempre a profissão definida na escolha do curso de graduação é a mesma na qual o indivíduo trilha sua carreira profissional. Os fatores que influenciam a escolha da profissão tem sido alvo de muitos estudos nas mais diversas áreas, tendo como pilar de sustentação as teorias comportamentais. Carpenter e Foster (1977) apontam fatores intrínsecos, extrínsecos e interpessoais como influentes na escolha da profissão e carreira. No contexto da contabilidade, segundo Demagalhães, Wilde e Fitzgerald (2011) os fatores intrínsecos estão relacionados com a satisfação, enquanto os fatores extrínsecos estão associados com segurança no emprego, perspectivas de carreira, salário e benefícios. Byrne, Willis e Burke (2012) afirmam que a profissão contábil precisa ser altamente competitiva em relação às demais no que diz respeito a atrair estudantes capacitados, e a melhor maneira de se conseguir isso é compreendendo os fatores que determinam as escolhas de carreira dos alunos, o que atualmente é feito por meio de teorias de predição de comportamento. Dentre as teorias utilizadas para predizer as intenções comportamentais encontra-se a Teoria do Comportamento Planejado (TCP) de Ajzen (1991), que é uma extensão da Teoria da Ação Racional (TAR) (Fishbein & Ajzen, 1975). Segundo a TAR, os seres humanos são racionais e utilizam as informações disponíveis, avaliando as implicações de seus comportamentos a fim de decidirem por sua realização, sendo que essa relação é intermediada pelo uso racional da informação, pressupondo também que variáveis externas estão relacionadas ao comportamento (Ajzen & Fishbein,1980). A teoria passou a ser criticada por não considerar fatores suscetíveis de influenciar as intenções e o comportamento dos indivíduos, e por esse motivo, Ajzen (1991) elaborou a TCP como uma continuação do desenvolvimento da TAR, adicionando ao modelo a variável controle comportamental percebido em uma tentativa de compreender as limitações do indivíduo para executar determinados comportamentos (Solikhah, 2014). O modelo TCP possui três variáveis: atitude, normas subjetivas e controle comportamental percebido. A TCP foi construída com base na premissa que o comportamento humano é definido por três tipos de crenças que se referem aos constructos presentes no modelo. São elas: crenças comportamentais, crenças normativas e crenças de controle. Trazendo as variáveis do modelo para o contexto desse estudo, temos que as três variáveis, atitude, normas subjetivas e controle comportamental percebido, estão diretamente relacionadas com a intenção dos alunos do curso de graduação em ciências contábeis da IES pesquisada em seguir carreira na área contábil.

Método de investigação:
A presente pesquisa foi viabilizada por meio da aplicação de um questionário, tendo como população 435 alunos do curso de ciências contábeis devidamente matriculados no ano de 2015, de uma universidade federal do estado do Paraná localizada na cidade de Curitiba, tendo como amostra final 302 respondentes. Os itens que compõe o instrumento de coleta de dados foram mensurados por meio de escala tipo Likert de 7 pontos, parcialmente ancorada, cujos extremos foram: 1 = discordo totalmente e 7 = concordo totalmente. No questionário disponibilizado aos respondentes, os indicadores foram apresentados de forma aleatória entre os construtos e 3 questões do instrumento foram apresentadas de forma negativa (não) para testar a atenção dos respondentes. Para a coleta de dados, o instrumento de pesquisa foi entregue presencialmente aos alunos no dia 28 de outubro de 2015 em sala de aula. Ressalta-se que antes da coleta foram realizados dois pré-testes do instrumento com 65 alunos concluintes do curso de ciências contábeis de uma instituição privada da cidade de Curitiba com a finalidade de ajustes e correções das assertivas. Para o tratamento dos dados, utilizaram-se inicialmente estatísticas descritivas com a finalidade de caracterizar o perfil sócio-econômico da amostra estudada e na sequência, Análise Fatorial e Modelagem de Equações Estruturais - MEE (Structural Equation Modeling). Klem (1995) considera esta técnica como uma extensão da regressão múltipla, pois na regressão se prevê uma única variável dependente, enquanto que na modelagem de equações estruturais há mais de uma variável dependente. De acordo com Hair Jr., et al. (2009), esta técnica estatística multivariada pode ser utilizada para elaborar modelos, e ainda atuar de forma complementar aos métodos estatísticos tradicionais. A MEE classifica-se em dois tipos: i) modelagem de equações estruturais baseada em covariância ou modelo LISREL; e ii) mínimos quadrados parciais ou Partial Least Squares (PLS) (Bido, et. al, 2010). A abordagem LISREL busca testar modelos teóricos, enquanto que o PLS centra-se na construção de modelos teóricos em uma perspectiva exploratória (Bido et al., 2010). Nesta pesquisa, utilizou-se a técnica PLS por meio do software SmartPLS versão 2.0 para o seu processamento.

Resultados, conclusões e suas implicações:
Constatou-se pelos dados demográficos dos respondentes que 55,96% deles são de gênero feminino. A maioria dos respondentes (72,19%) tem entre 16 e 25 anos, e 85,76% são solteiros. A maior parcela de respondentes ficou com o terceiro ano do curso, com 29,47% das respostas. Quanto ao fato de estarem exercendo alguma atividade remunerada, 84,77% responderam que sim, sendo que desse total, 51,66% trabalham na área contábil. Os resultados obtidos indicaram a necessidade de exclusão de indicadores ficando o construto Atitude (ATIT) ao final ficou com 4 indicadores; o de Norma Subjetiva (NS) com 3 questões; e o de Controle Comportamental Percebido (CCP) e o de Intenção (INTEN) com 4 cada um, sendo que ao final, o modelo utilizado mostrou-se adequado aos objetivos do estudo. O R2 entre os constructos foi de 0,5058, indicando que as três variáveis do modelo juntas explicam a intenção dos alunos em seguir carreira em aproximadamente 51%. Os resultados para a primeira hipótese (H1) foram significativos a p<0,01, indicando que, fundamentados em Fishbein e Ajzen (1975) os fatores intrínsecos e extrínsecos aos alunos influenciam significativamente na intenção dos mesmos seguirem uma das carreiras da contabilidade. Os achados resultantes para a segunda hipótese (H2) suportam que a afirmação de que pessoas próximas tais como amigos, namorado/esposo(a), e profissionais da área de contabilidade, exercem influência sob os alunos. Por fim, a H3 também foi sustentada, inferindo-se que os alunos acreditam em sua capacidade de exercer uma carreira contábil após a conclusão do curso. Considerando os resultados obtidos, enfatiza-se a pouca influência dos indicadores do fator “Norma Subjetiva”, o que suscita possíveis discussões. A principal delas é o fato de que a amostra deste estudo não considerar importante a opinião de pais, professores e parentes (irmãos, tios, primos) diferentemente de diversos estudos internacionais. Ademais, verificou-se que a relevância das opiniões de profissionais da área (pares), amigos e namorado/esposo(a) para esta decisão. Com isso, verifica-se que aqueles indivíduos que já estão inseridos na profissão/carreira exercem grande influência sob a decisão dos futuros profissionais. Em relação aos fatores influenciadores dos construtos atitude e do controle comportamental percebido evidencia-se que para o primeiro, os de natureza extrínseca são os menos relevantes devido à exclusão de 3 deles e cargas estatisticamente baixas dos demais. Com isso, infere-se que os alunos não vêm as carreiras da profissão contábil com reconhecimento de status e prestígio; que não tem boa remuneração e que não há boas oportunidades disponíveis no mercado. No entanto, os respondentes percebem-se capazes de exercer uma carreira contábil, tendo assim fortes crenças em suas capacidades e também nas condições de seguir ou não uma carreira. Os resultados da pesquisa contribuem para esclarecimento de fatores que podem influenciar de modo significativo a intenção dos alunos de ciências contábeis em seguir carreira na área contábil, podendo também fornecer subsídios em relação aos aspectos que precisam ser melhorados para estimular o interesse. Deste modo, este estudo vem contribuir para o avanço do tema escolha de carreira dos alunos de ensino superior no Brasil, principalmente para avaliar os aspectos mais significantes deste processo; para o uso de teorias da psicologia social na contabilidade e para o aumento do uso de modelagem de equações estruturais, utilizando o Partial Least Square (PLS) com o software SmartPLS. Têm como limitação, os resultados desta pesquisa não poderem ser generalizados por ter sido investigado somente alunos de uma única instituição. Entretanto, recomenda-se investigar uma amostra de alunos do mesmo curso de IES diferentes e com um número maior de respondentes.

Referências bibliográficas:
Ajzen, I. (1991). The Theory of Planned Behavior. Organizational Behavior and Human Decision Processes, 50(1), 179-211. Chanlat, J. F. (1995). Quais carreiras e para qual sociedade? Revista de Administração de Empresas, 35(6), 67-75. Fishbein, M. & Ajzen, I. (1975). Belief, Attitude, Intention, and Behavior: An Introduction to Theory and Research. Reading: Addison-Wesley. Fishbein, M., Ajzen, I., & McArdle, J. (1980). Changing the behavior of alcoholics: Effects of persuasive communication. Understanding attitudes and predicting social behavior, 217-242. Fornell, C., & Larcker, D. F. (1981). Evaluating structural equation models with unobservable variables and measurement error. Journal of marketing research, 39-50. Hair Jr. J. F.; Black, W. C,; Babin, B.; Anderson, R. E.; & Tathan, R. L., (2009). Análise multivariada de dados. 6 ed. Porto Alegre: Bookman. Morris, J., Marzano, M., Dandy, N., & O’Brien, L. (2012). Theories and models of behaviour and behaviour change. Forest Research: Surrey, United Kingdom. Safta, C. G. (2015). Career Decisions–A Test of Courage, Responsibility and Self-Confidence in Teenagers. Procedia-Social and Behavioral Sciences,203, 341-347.

 

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