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Trabalhos DisponÃveis: 112
Anais do 16º International Conference in Accounting - 16º 2016
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RESUMO DO TRABALHO |
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Código: 89 |
Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira |
TÃtulo: Cultura Corporativa Criativa, Intangibilidade e seus efeitos no Desempenho das Empresas não sediadas nos EUA listadas na Nyse |
Resumo: Propósito do Trabalho:
Diante da alta competitividade, as empresas têm se preocupado, cada dia mais, em adotar estratégias que venham a garantir sua permanência no mercado, mediante introdução de profundas transformações em sua estrutura, incluindo alterações, ainda que não claramente identificadas, em sua cultura. A cultura corporativa determina o perfil e o comportamento de uma organização, influenciando a criação de diferencial competitivo que pode determinar o sucesso do negócio. Sob os preceitos da Visão Baseada em Recursos, a cultura corporativa é considerada um recurso estratégico, que direciona a empresa para o sucesso da sua eficácia e, de modo consequente, para o crescimento do seu desempenho (Barney, 1986; Cameron, Quinn, Degraff, & Thakor, 2006; Han, 2012; Helfat & Peteraf, 2003). Assim como para a cultura corporativa, a teoria da Visão Baseada em Recursos considera que o sucesso de uma empresa depende dos recursos de que dispõe, bem como da sua capacidade de controlá-los (Galbreath, 2005), incluindo aí os ativos intangíveis. Com foco nos construtos cultura corporativa criativa e intangibilidade, esta pesquisa tem como objetivo geral investigar o efeito da tipologia cultural criativa da empresa no seu nível de intangibilidade e seus respectivos reflexos no desempenho de 119 empresas estrangeiras, não sediadas nos EUA, listadas na Nyse que, no período compreendido entre 2009 e 2014, divulgaram o relatório anual 20-F. Fundamentando-se nos estudos de Fekete e Böcskei (2011), Han (2012), Kim, Lee e Yu (2004), Ogbonna e Harris (2000) e Yesil & Kaya (2013), formula-se a hipótese geral de que a tipologia cultural criativa influencia o nível de intangibilidade nas empresas, em que ambos os construtos, individual e coletivamente, têm reflexo sobre o desempenho empresarial.
Base da plataforma teórica: Na visão de Cameron e Quinn (1999), a cultura corporativa pode ser entendida como um conjunto de elementos – valores, abordagens, suposições, interpretações e outros – que caracterizam as empresas, de modo que cada perfil cultural pode afetar, distintivamente, o sucesso da empresa. A literatura defende que a cultura da empresa pode ser categorizada em dimensões ou tipologias (Cameron & Quinn, 1999; Hofstede, 2001; Trompenaars, 1993) para explicar os perfis culturais em distintos modelos organizacionais, destacando-se a classificação Competing Values Framework (CVF). O modelo CVF apresenta as seguintes tipologias culturais: colaborativa (clã), criativa (adhocracy), competitiva (mercado) e de controle (hierárquica) (Cameron & Quinn, 1999).
Cada perfil cultural apresenta elementos distintos, que, por sua vez, direcionam a empresa para resultados específicos relativos à eficácia organizacional. Pesquisadores afirmam que a cultura corporativa orientada para o sucesso aumenta a eficácia organizacional, representada por alguns elementos relativos aos perfis específicos de cada cultura, como: satisfação e comprometimento dos empregados (cultura colaborativa), inovação de produtos e serviços (cultura criativa), participação de mercado, lucro, qualidade do produto, produtividade (cultura competitiva) e eficiência e bom desempenho interno (cultura de controle) (Cameron & Quinn, 1999; Denison, 1990; Kotter & Heskett, 1992).
Fundamentando-se na Visão Baseada em Recursos (VBR), parte-se do pressuposto de que a cultura corporativa pode ser utilizada na aplicação de estratégias, e que possibilita canalizar o rumo da empresa com mais efetividade, definindo a cultura como “algo que a organização tem” (Smircich, 1983, p. 347). Destarte, a cultura corporativa é considerada um recurso estratégico controlado pela empresa, caracterizado como um “ativo intangível estratégico”, no sentido de que compreende uma fonte de vantagem competitiva sustentável (Barney, 1986; Flamholtz & Randle, 2012). Nesse sentido, a cultura corporativa é um dos principais ativos extensivamente estudados em associação com a eficácia organizacional (Zheng, Yang, & Mclean, 2010).
A VBR propõe que o diferencial existente na organização, a partir dos seus recursos, tem reflexo no desempenho e na geração de vantagem competitiva sustentável, e é explicado, principalmente, pelos recursos e capacidades específicos, que apresentam características raras, valiosas, inimitáveis e insubstituíveis, assim como pela expressão da heterogeneidade dos recursos criados e controlados pela empresa (Barney, 1991; Helfat & Peteraf, 2003; Peteraf, 1993; Wernerfelt, 1984). Dentre esses recursos intangíveis, insere-se a cultura corporativa.
Sob os preceitos da VBR, verifica-se que a cultura corporativa criativa é considerada um recurso estratégico sustentável que se caracteriza pela conexão da empresa com investimentos em inovação e experimentação (Cameron & Quinn, 2006). Alguns estudos mostram que as empresas com potencial cultural criativo possuem características de empreendedorismo, flexibilidade e criatividade (Acar & Acar, 2014; Cameron & Quinn, 2006; Tseng, 2010), previstas para cultivar a inovação (Denison & Spreitzer, 1991) e, de modo consequente, implicar níveis mais altos de intangibilidade. A literatura aponta ainda que a cultura corporativa criativa e o nível de intangibilidade podem apresentar diferentes reflexos no desempenho das empresas em distintos contextos amostrais (Carvalho et al., 2010; Fekete & Böcskei, 2011; Flamholtz & Randle, 2012; Han, 2012; Ogbonna & Harris, 2000).
Método de investigação: A amostra compreende 119 empresas não sediadas nos EUA listadas na Nyse, em 31/7/2015, que emitiram o relatório 20-F, no período de 2009 a 2014.
Para medir a cultura corporativa, utilizou-se a técnica análise de texto, que examina, de forma sistemática e objetiva, as características de determinado texto (Stone, Dunphy, Smith, & Ogilvie, 1966). Essa abordagem considera que palavras e expressões usadas por membros de uma empresa, identificadas através de um “vocabulário”, representam o resultado da cultura ali desenvolvida ao longo do tempo (Levinson, 2003). Tal técnica permite que as medidas de cultura corporativa fiquem menos propensas à subjetividade dos pesquisadores na interpretação dos dados (Fiordelisi & Ricci, 2014).
A identificação da cultura criativa na empresa foi medida conforme proposição de Fiordelisi e Ricci (2014), em que se identificou os radicais relacionados aos sinônimos atribuídos para cada uma das tipologias culturais representadas no CVF (colaborativa, criativa, competitiva e de controle). A bolsa de palavras, constituída por Fiordelisi e Ricci (2014) e utilizada neste estudo, compreende 34 radicais para a cultura colaborativa, 30 para a criativa, 41 para a competitiva e 35 para a de controle. A cultura corporativa criativa foi, então, estimada para cada empresa, a partir do percentual resultante da razão entre o número de vezes que os radicais relativos à cultura corporativa criativa ocorrem no relatório e o total de radicais, considerando as quatro tipologias.
O nível de intangibilidade foi mensurado pelos Investimentos em Ativos Intangíveis (IAI), que representam o nível de investimentos em ativos intangíveis da empresa em relação ao seu Patrimônio Líquido.
Para o desempenho empresarial, utilizou-se o Return On Equity (ROE), medido por meio da relação entre o Lucro Líquido e o Patrimônio Líquido.
Fez-se uso da Regressão Linear Múltipla, com dados em painel, para atender ao objetivo da pesquisa. No caso, o nível de intangibilidade exerce os papéis de variável dependente e variável independente, enquanto a cultura corporativa exerce o papel único de variável independente, de acordo com os modelos propostos para testar as hipóteses da pesquisa. As variáveis de controle compreendem: tamanho, endividamento, setor, localização regional e efeito crise da empresa. Foi utilizado também, como variável de controle, o ano da observação.
Resultados, conclusões e suas implicações: A quase totalidade das empresas da amostra (94,1%) é sediada na América Latina (27,7%), na Ásia (32,8%) e na Europa (33,6%). O continente africano foi o que apresentou a maior participação da cultura corporativa criativa, e as empresas europeias mostraram os níveis mais altos de intangibilidade e desempenho. Observou-se uma grande variabilidade nos dados das empresas, sendo as informações sobre cultura criativa as que apresentaram menos heterogeneidade. Verificou-se que as empresas investem em média 50% de seu capital próprio em ativos intangíveis.
A partir da análise dos dados em painel, não se pode inferir que a maior participação de cultura criativa no perfil das empresas seja determinante para a elevação do nível de intangibilidade, refutando-se a primeira hipótese da pesquisa. As empresas do Ocidente apresentaram valores superiores de investimento em intangíveis.
Quanto à segunda hipótese, de influência positiva da cultura criativa no desempenho empresarial, não foi possível encontrar significância estatística dos coeficientes; portanto, não se pode confirmar essa hipótese. Os resultados obtidos mostram, ainda, uma relação negativa entre o nível de intangibilidade e o desempenho das empresas, refutando-se a terceira hipótese.
Ao se analisar a influência conjunta do nível de intangibilidade e da cultura criativa no desempenho, verificou-se que a cultura criativa não muda a relação entre o nível de intangibilidade e o desempenho, indicando que a maior participação da cultura criativa na composição da cultura corporativa faz com que a elevação do nível de intangibilidade exerça impacto negativo maior no resultado dessas empresas. Destarte, também se rejeita a quarta hipótese.
Sob os preceitos da VBR, a cultura corporativa é considerada um recurso estratégico intangível que proporciona vantagem competitiva. Assim, as empresas detentoras de forte cultura criativa tenderiam a promover o incremento da inovação, do aprimoramento de processos produtivos e a expansão de pesquisa e desenvolvimento, que, por sua vez, implicam o crescimento da estrutura intangível da empresa e, de modo consequente, do seu nível de intangibilidade, com reflexo em melhor desempenho.
Contudo, os resultados contrariam a expectativa de uma relação positiva entre a cultura criativa, o nível de intangibilidade e o desempenho. Assim, para o grupo de empresas da amostra e levando-se em conta o período de análise, não se pode afirmar que a cultura criativa proporcione incremento no nível de intangibilidade das empresas, resultando em melhor desempenho.
Por um lado, o efeito negativo do grau de intangibilidade aponta o efeito negativo sobre o desempenho; no entanto, esse achado pode ser consequência de intangíveis em processo de desenvolvimento – aqueles que ainda não começaram a gerar, de modo efetivo, resultados significativos no desempenho da firma. Quando combinado com a cultura corporativa criativa, o efeito negativo no desempenho se torna ainda mais significativo; uma possível explicação para os resultados encontrados pode ser a baixa participação dessa tipologia cultural na composição da cultura corporativa das empresas da amostra, registrando uma média de 14,3% no período.
Ressalte-se que a cultura criativa da empresa apresenta-se no CVF como uma característica da firma voltada para o ambiente externo e a busca pela diferenciação, com efeito positivo no seu desempenho. Entretanto, essa relação não se confirmou, sugerindo a existência de outros fatores, desconhecidos neste estudo, que podem também interferir no efeito da cultura criativa no desempenho das empresas.
As análises aqui apresentadas mostram-se relevantes para os cenários acadêmico e de mercado, na medida em que abordam aspectos organizacionais, especialmente em relação a intangibilidade e ao perfil cultural criativo, distinguindo-se de outros estudos, por utilizar empresas de diferentes continentes. No âmbito empresarial, os achados possibilitam, ainda, aos diversos stakeholders, conhecer o perfil das empresas listadas na Nyse, bem como atuam como um direcionador para os investidores, ao fundamentar suas decisões.
Referências bibliográficas: Barney, J. (1991). Firm resources and sustained competitive advantage. Journal of Management, 17(1), 99-120.
Cameron, K. S., & Quinn, R. E. (2006). Diagnosing and changing organizational culture: based on the competing values framework (3th ed.). San Francisco: Jossey-Bass.
Fekete, H., & Böcskei, E. (2011). Cultural waves in company performance. Research Journal of Economics, Business and ICT, 3, 38-42.
Fiordelisi, F., & Ricci, O. (2014). Corporate culture and CEO turnover. Journal of Corporate Finance, 28, 66-82.
Flamholtz, E. G., & Randle, Y. (2012). Corporate culture, business models, competitive advantage, strategic assets and the bottom line: theoretical and measurement issues. Journal of Human Resource Costing & Accounting, 16(2), 76-94.
Han, H. S. (2012). The relationship among corporate culture, strategic orientation, and financial performance. Cornell Hospitality Quarterly, 52(3), 207-219.
Helfat, C. E., & Peteraf, M. A. (2003). Understanding dynamic capabilities: progress along a developmental path. Strategic Organization, 7(1), 91-102.
Ogbonna, E., & Harris, L. C. (2000). Leadership style, organizational culture and performance: empirical evidence from UK companies. International Journal of Human Resource Management, 11(4), 766-788.
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