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Trabalhos DisponÃveis: 42
Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º 2016
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RESUMO DO TRABALHO |
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Código: 92 |
Área Temática: Área VI: Educação |
TÃtulo: Diferenças entre Gênero, Etnia e Perfil Socioeconômico no Exame Nacional de Desempenho do Estudante do Curso de Ciências Contábeis |
Resumo: Propósito do Trabalho: Para Scorzafave e Ferreira (2011) a questão desigualdade de desempenho e suas variáveis associadas merece ser discutida, visto que seus resultados podem indicar se os insumos escolares promovem a equidade de desempenho entre os estudantes.Segundo Soares e Alves (2003) “essas desigualdades são moduladas por filtros socioeconômicos, raciais, localização (urbana, rural) e por tipo de rede escolar (pública, particular)".
Este estudo pretende discutir a questão desigualdade de desempenho dos estudantes concluintes do curso de graduação em Ciências Contábeis no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), nas edições de 2006, 2009 e 2012. Seu objetivo principal é analisar se existe diferença significativa em relação aos desempenhos acadêmicos alcançados pelos estudantes dos cursos de Ciências Contábeis entre os grupos étnicos, gêneros, perfil socioeconômico e características das IES. A questão de pesquisa proposta é: existem diferenças significativas em relação aos desempenhos acadêmicos alcançados pelos estudantes dos cursos de Ciências Contábeis entre os grupos étnicos, gêneros, perfil socioeconômico e características das IES? As respostas da questão podem indicar se as ações educacionais têm promovido a equidade entre os estratos sociais analisados no estudo.
Ressalta-se que é necessário estudar os fatores que influenciam em diferentes desempenhos acadêmicos dos estudantes dos cursos de Ciências Contábeis para estabelecer medidas, que possibilitem a redução dessas desigualdades de desempenhos entre os grupos étnicos, gêneros, perfil socioeconômico e características das IES. Isso permitirá refletir sobre quais ações educacionais de inclusão podem ser implementadas para evitar que a desigualdade persista entre os estratos sociais.
Base da plataforma teórica: Existem pesquisas dedicadas ao tema condicionantes do desempenho da educação superior no âmbito nacional e internacional. Por exemplo, na literatura internacional, Betts e Morell (1999) concluíram que os antecedentes pessoais, a origem do ensino médio e o nível de experiência dos docentes do ensino médio afetam significativamente o desempenho dos estudantes de graduação da Universidade da Califórnia no Grade Point Average (GPA). No Brasil, o trabalho de Scorzafave e Ferreira (2011) indicaram que o background socioeconômico dos estudantes, em especial as características reprovação, não fazer a lição de casa, participação no programa Bolsa Família e o número de pessoas na casa, estão associados com a desigualdade de suas notas. No contexto das Ciências Contábeis, destacam-se os estudos de Alves, Corrar e Slomski (2004); Andrade (2005), Souza (2008) e Santos (2012). Alves, Corrar e Slomski (2004) usaram testes de médias e concluíram que o domínio atualizado do conteúdo das disciplinas, a técnica de ensino empregada e o tipo de recurso didático usado em sala estão associados significativamente às diferenças nos desempenhos educacionais obtidos pelos estudantes no Provão de 2002. Andrade (2005) também usou os dados do Provão de 2002 e, por meio de testes de média, concluiu que as variáveis de natureza acadêmica (atividade de pesquisa, dedicação aos estudos) e econômica (renda, escolaridade dos pais) estão relacionadas à existência de diferentes desempenhos acadêmicos dos estudantes, com exceção das variáveis raças (maioria x minorias) e frequência de uso da biblioteca. Souza (2008) utilizou como proxypara o resultado educacional o Índice de Desempenho do Curso (IDC) do Enade de 2006. Os resultados evidenciaram que onde o discente fez o ensino médio, a escolaridade de seu pai, o seu esforço pessoal no curso, o fato dele trabalhar ou não e a renda familiar foram significativas sobre desempenho do curso. Outro achado foi uma correlação negativa da escolaridade da mãe com o desempenho do curso; entretanto, no conjunto, observou-se que a escolaridade dos pais tem influência positiva na predição do desempenho dos cursos de ciências contábeis no Enade. Santos (2012) usou dados das edições de 2002 e 2003 do Provão e de 2006 do Enade, por meio de regressões de modelos hierárquicos lineares. Esse estudo concluiu que, na dimensão dos discentes, há significativa associação entre o desempenho acadêmico dos estudantes de 2002, 2003 e 2006 com gênero feminino, horas de dedicação aos estudos, faixa de renda familiar e ter cursado o ensino médio em escolas públicas. No âmbito das IES, os principais fatores explicativos foram o domínio de conteúdo por parte dos professores e a utilização da aula expositiva como prática de ensino predominante. Para 2003 e 2006 há evidências de efeito positivo da titulação dos professores (mestrado ou doutorado) destes terem jornada integral de 40 horas e /ou dedicação exclusiva ao ensino e da utilização de atividades de pesquisa como estratégia de ensino.
Método de investigação: A principal fonte de dados utilizada na pesquisa são os microdados do Enade de 2006, 2009 e 2012. Esses microdados são disponibilizados pelo INEP em sua homepagee, além de dados sobre as Instituições e cursos, incluem informações concernentes aos questionários socioeconômicos respondidos pelos estudantes que participaram dos exames. O universo de análise são os estudantes considerados concluintes dos cursos de Ciências Contábeis brasileiros, que estiveram presentes e participaram das provas do Enade, nas edições de 2006, 2009 e 2012. Ressalta-se que na edição de 2012 do Enade os estudantes considerados ingressantes não participaram da prova, por isso optou-se por compor a amostra de apenas estudantes concluintes. Assim, após retirar do banco de dados as informações dos estudantes concluintes que entregaram as provas em branco, as amostras de participantes foram as seguintes, 19.497, 19.388 e 47.065,nas edições de 2006, 2009 e 2012, respectivamente. Além de informações socioeconômicas, os alunos deveriam responder ao questionário de pesquisa, em que poderia assinalar sua opinião referente ao curso. Os principais dados que foram coletados por meio desses instrumentos são: as características pessoais, condições socioeconômicas e culturais, hábitos de estudo, características dos cursos, como instalações e recursos disponíveis nas instituições, aspectos específicos dos cursos, como estrutura curricular, organização didático-pedagógica e atuação do docente. Para análise dos resultados, empregou-se estatísticas descritivas e testes de comparação de média. Inicialmente, utilizou-se da técnica estatística de Análise de Variância (ANOVA) para amostras independentes para fazer a comparação das médias da nota geral e das notas dos componentes de formação geral e de conhecimento específico entre os grupos. Entretanto, as variáveis não atenderem os pressupostos de distribuição normal e de homocedasticidade. Consequentemente, optou-se por utilizar o método não paramétrico de Kruskal-Wallis, conforme é recomenda por Maroco (2007).
Resultados, conclusões e suas implicações: Os resultados do teste Kruskal-Wallis indicaram que não existem diferença de desempenho médio, obtidos pelos estudantes na nota geral e nas notas dos componentes de formação geral e do conhecimento específicos, entre os estratos sociais etnia e estado civil em todas as edições do Enade (2006, 2009 e 2012).Entretanto, na amostra da edição do Enade de 2012, os discentes da etnia brancos e amarelos, que estudaram além da sala de aula alcançaram o desempenho médio estatisticamente maiores em todas as notas que das etnias negras e pardas e que não se dedicaram aos estudos extraclasse. Esses resultados apontam para uma associação do Gênero com a desigualdade de desempenho na área, tanto em relação a sua formação geral, bem como ao conhecimento dos conteúdos em contabilidade. Ademais, o grupo de estudantes do gênero feminino, que dedicaram mais tempo aos estudos, pode ter obtido notas médias mais altas do que as discentes que dedicaram menos tempo aos estudos. Quanto aos resultados do grupo com distintos perfis socioeconômicos (alto, médio e baixo), com exceção da nota geral e de conhecimento específico de 2009, no geral, foi verificada a existência de diferença de desempenho obtido pelos discentes de Ciências Contábeis. Os estudos de Andrade (2005) e Souza (2008) também encontraram que a questão econômica explica a diferença de desempenho entre os estudantes. Em relação ao grupo “Recursos dos Cursos/ Instituições” verifica-se que não existe diferença de desempenho entre os estudantes concluintes que participaram de atividades de extensão dos que não participaram; e que foram contemplados com bolsas de estudos e dos que não foram contemplados com bolsas de estudos. No último caso, na edição do Enade de 2012, o resultado encontrado é o contrário. Este último resultado é uma contribuição do trabalho, visto que esses estratos sociais não foram analisados no estudos pesquisados. Por fim, na análise das variáveis que compõem o grupo Características das Instituições da Educação Superior, os resultados do teste indicam que o tipo de Instituições da Educação Superior, pública ou privada e Universidades e demais modelos de organização acadêmica, e o tipo de modalidade de curso, presencial ou à distância, que os estudantes estavam vinculados, fez a diferença no desempenho nas notas do Enade, em todas as edições analisadas. Este estudo contribui com a avaliação do desempenho dos grupos de estudantes vinculados as duas principais modalidades de curso, presencial e à distância, visto que essa variável não foi contemplada na literatura pesquisada. Para um aprofundamento das razões para que existam essas desigualdades de desempenhos entre esses estratos sociais é preciso que sejam incluídas variáveis cognitivas e psicológicas. Todavia, este estudo contribuiu para a compreensão da existência de desigualdade de desempenhos entre distintos perfis sociais. Os resultados podem auxiliar gestores a identificar quais são as principais necessidades dos estudantes e buscar formas de minimizar essas carências, possibilitando o acesso a uma educação mais qualificada com a redução das diferenças de desempenhos entre esses grupos. Para futuras pesquisas, sugere estudos sobre o tema que incluam variáveis de caráter cognitivo e psicológico.
Referências bibliográficas: Alves, C. V. O. Corrar, L. J. &Slomski, V. (2004).A docência e o desempenho dos estudantes dos cursos de graduação em contabilidade no Brasil. Anais do 4ª Congresso USP de Controladoria e Contabilidade, SP, São Paulo.
Andrade, J. X. &Corrar, L. J.(2005) Condicionantes do desempenho dos estudantes de contabilidade:evidências empíricas de natureza acadêmica, demográfica e econômica.Anais do 29ª Encontro da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Administração, DF, Brasília (DF)
Betts, J. R. &Morell, D. (1999) The determinants of undergraduate grade point average: The relative importance of family background, high school resources, and peer group effects. Journal of Human Resources, 34(2), 268–293.
Santos, N. de A. (2012) Determinantes do Desempenho Acadêmico dos Alunos dos Cursos de Ciências Contábeis. Tese (Doutorado em Ciências Contábeis) - Programa de Pós-Graduação em Controladoria e Contabilidade da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, SP, São Paulo.
Scorzafave, L. G. & Ferreira, R. A. (2011). Desigualdade de Proficiência no Ensino Fundamental Público Brasileiro: uma Análise de Decomposição. Revista EconomiA, 12(2), 337-359.
Souza, E. S. de. (2008) ENADE 2006: determinantes do desempenho dos estudantes do curso de Ciências Contábeis. 2008. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis) - Programa Multi-institucional e Inter-Regional de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da UnB, UFPB, e UFRN, DF, Brasília.
Soares, J. F. & Alves, M. T. G. (2003). Desigualdades raciais no sistema brasileiro de educação básica. Educação e Pesquisa, 29(1), 147-165.
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