Resumo: Propósito do Trabalho: Um dos papéis da Contabilidade é o de suprir gestores, acionistas, credores e outros stakeholders com informações úteis na tomada de decisão. Dentre as informações que devem ser divulgadas pela entidade, estão àquelas relacionadas às obrigações, provisões e contingências. Das pesquisas estudadas que tratam do Disclosure das Provisões e Passivos Contingentes, observou-se que poucos são os que buscam encontrar fatores que influenciam a divulgação das informações das Provisões e Passivos Contingentes. Destaca-se o estudo de Fonteles, Nascimento, Ponte e Rebouças, (2013), que verificou determinantes da evidenciação, e também, a pesquisa de Pinto, Avelar, Fonseca, Silva e Costa, (2014) que analisou a relação do valor de mercado e a evidenciação das informações qualitativas e quantitativas. Considerando a importância das Provisões e Passivos Contingentes, que podem vir a dar origens a novos passivos exigindo sacrifício de Ativos no futuro e, da obrigatoriedade da aplicação do CPC 25, nas companhias abertas, independente do setor, nível e tamanho da companhia, esta pesquisa questiona: Quais fatores influenciam a evidenciação das provisões e passivos contingentes das empresas do Índice Bovespa? Consequentemente, o objetivo é de verificar se os fatores: tamanho; endividamento; liquidez; rentabilidade; e, American Depositary Receipt (ADR), influenciam no índice de Disclosure das Provisões e Passivos Contingentes das empresas brasileiras pertencentes ao Índice Bovespa.
Base da plataforma teórica: O Disclosure contábil está relacionado a transparência das informações relevantes para quando as empresas estabelecem comunicação dos gestores com os stakeholders, tomarem decisões adequadas. O CPC 25 trata das Provisões e Passivos Contingentes, definindo provisão como sendo um passivo de prazo ou de valor incertos. O termo contingência é utilizado para passivos que não serão reconhecidos devido às incertezas de ocorrências, que não estão sob o controle da empresa. Os Passivos Contingentes não são reconhecidos no Balanço Patrimonial da entidade, porém devem ser divulgados em Notas explicativas. Considerando o Disclosure de informações relativas às Provisões e Passivos Contingentes, a pesquisa foi direcionada pelas hipóteses elaboradas a partir de estudos anteriores. Primeiramente, afirma-se que empresas maiores possuem um nível de Disclosure maior e tendem ser mais transparentes, assim como, empresas maiores são mais complexas em suas atividades operacionais, necessitando de maiores informações sobre suas atividades (PEREIRA, LOPES, PEDERNEIRAS, & SANTOS, 2008; LIMA et al., 2010; LEAL, COSTA, OLIVEIRA, & REBOUÇAS, 2015; WALLACE & NASER, 1995). H1: Empresas maiores possuem um maior nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes. Quanto ao indicador de endividamento, este permite avaliar o comprometimento com credores e a capacidade de cumprir com compromissos no longo prazo. Empresas com maior grau de endividamento tendem a divulgar mais informações, o seja existe resultado significante entre nível de endividamento e Disclosure (LANZANA, 2004; MURCIA E SANTOS, 2010). H2: Empresas com maior grau de endividamento possuem um maior nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes do que as empresas com menor grau de endividamento. Indicadores de liquidez mensuram a capacidade das empresas liquidarem obrigações. O Disclosure das provisões e passivos contingentes é influenciado negativamente em relação a liquidez (FONTELES et al. 2013). H3: Empresas com maior liquidez possuem um maior nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes do que as empresas com menor liquidez. A Rentabilidade do Ativo indica o quanto os Ativos da empresa geraram de retorno. O Retorno do Patrimônio Liquido (ROE), infere o quanto os detentores de capital obtiveram de retorno sobre o capital investido. Empresas mais rentável tendem a chamar mais atenção dos investidores (ASSAF NETO, 2012; FONTELES et al. 2013). H4: Empresas com maior rentabilidade possuem um maior nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes do que as empresas com menor rentabilidade. Por último, empresas que possuem ADR são influenciadas nas práticas e políticas de evidenciação (FIRTH, 1979). Murcia e Santos (2009), Rufino e Monte (2015) encontraram relação significante entre Disclosure e ADR. Porém, em estudo posterior a mesma relação não foi encontrada (MURCIA & SANTOS, 2010). H5: Empresas brasileiras que negociam ADR’s possuem um maior nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes do que as empresas listadas somente na Bovespa.
Método de investigação: Trata-se de uma pesquisa descritiva quanto aos objetivos, os procedimentos caracterizam-se como documental, e com abordagem quantitativa quanto ao problema. A população da pesquisa compreende as empresas listadas na BM&FBOVESPA. Destas, optou-se por uma amostra não probabilística intencional composta das empresas participantes da carteira teórica, referente ao quadrimestre maio/agosto de 2015, do Índice Bovespa da BM&FBOVESPA. Foram retiradas da amostra as instituições financeiras por conterem normativos específicos e diferenciados das demais empresas. Os dados necessários para execução das variáveis foram coletados do Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício e Notas Explicativas, divulgadas pelas empresas no site da BM&FBOVESPA referente aos exercícios de 2012, 2013 e 2014 de 48 companhias abertas. Buscou relacionar a intensidade e a significância das variáveis independentes (Tamanho, Endividamento, Liquidez, Rentabilidade e ADR) sobre o nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes, estabelecido através do índice de Disclosure (variável dependente) ao longo de três anos.
Para a variável dependente, Índice de Disclosure (DISCL) foi utilizado o nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes, calculado através da razão entre o total das informações divulgadas e o total que deveria ser divulgado, na Nota Explicativa conforme orientação do CPC 25. O modelo estatístico mais indicado para este tipo de análise é a regressão linear múltipla para dados em painel, que foi submetido aos testes de Chow, LM (Lagrange Multiplier) de Breusch-Pagan, e teste de Hausman para especificação do modelo mais adequado, que resultou em um painel balanceado com efeitos aleatórios.
Resultados, conclusões e suas implicações: O artigo investigou fatores que influenciam na divulgação das informações sobre provisões e passivos contingentes de 48 empresas brasileiras com ações negociadas na BM&FBOVESPA. Os resultados empíricos encontrados revelaram que o índice médio de Disclosure das Provisões e Passivos Contingentes, evidenciados pelas empresas nas Notas Explicativas foi de 53,16%. Entre as empresas que mais evidenciam informações sobre as provisões e passivos contingentes, estão as que pertencem ao setor de Energia e Saneamento (58,5%), seguida pelas empresas do setor de Telecomunicações (56,8%). Estes resultados corroboram os achados de Murcia e Santos (2009), Zonatto, Santos, Junior e Bezerra, (2011) e Fonteles et al. (2013). Observa-se que as empresas que tiveram maiores médias de Disclosure pertencem ao Nível 1 de governança corporativa (57,40%). O Novo Mercado, que impõem maiores níveis de evidenciação, as empresas listadas tiveram 52,61% de evidenciação. no período analisado, o índice de Disclosure foi crescente, de 51,50% no ano de 2012 e 54,74% em 2014. Em relação aos fatores que podem influenciar no índice de disclosure das provisões e passivos contingentes estimado através da regressão para dados em painel com efeitos aleatórios. O modelo se mostrou significante p-value (0,0014) da estatítica F, os valores de R2 e R2 ajustado indicam que as variáveis independentes explicam cerca de 9,6% e 9,2%, respectivamente, das divulgações das Provisões e Passivos Contingentes. Das hipóteses formuladas apenas uma hipótese foi aceita: H1 - Empresas maiores possuem um maior nível de evidenciação das provisões e passivos contingentes. O coeficiente positivo e significativo ao nível de 0,1% da variável TAM (0,0251), indica que esta possui relação positiva com o índice de Disclosure das provisões e passivos contingentes ou seja a cada aumento de 1% no tamanho da empresa o Disclosure das provisões e passivos contingentes aumenta 0,0251, ou seja as empresas maiores tendem a divulgar mais informações e atender melhor o que pede o CPC 25 nas divulgações das provisões e passivos contingentes. Assim das cinco hipóteses formuladas, quatro foram refutadas: (H2) Endividamento não se mostrou significante p-value (0,5386), (H3) Liquidez p-value (0,6142), (H4) Rentabilidade p-value (0,3300) e (H5) ADR p-value (0,7031), indicando que nível de endividamento, liquidez, nível de rentabilidade e emissão de ADR não influencia na divulgação de informações sobre provisões e passivos contingentes das empresas estudadas. Esta pesquisa pretende contribuir para o conhecimento sobre as provisões e passivos contingentes, conforme o que pede o CPC 25 e sua aplicação e contabilização pelas empresas, já que é uma orientação que deve ser seguida pelas empresas de capital aberto brasileiras. O trabalho também possui uma contribuição teórica sobre o assunto abordado, já que poderá servir como embasamento e referencia para próximas pesquisas sobre o assunto. Como o poder explicativo do modelo se mostrou baixo, indicado pelo valor do R2 ajustado, recomenda se a inclusão de outras variáveis que possam explicar o Disclosure das provisões e passivos contingentes, como por exemplo: nível de governança corporativa e o setor de atuação. Para estudos futuros recomenda-se também o aumento da amostra das empresas estudadas.
Referências bibliográficas: Fonteles, I. V., do Nascimento, C. P. S., Ponte, V. M. R., & Rebouças, S. M. D. P. (2013). Determinantes da Evidenciação de Provisões e Contingências por Companhias listadas na BM&FBOVESPA. Revista Gestão Organizacional, 6(4). Leal, P. H., do Nascimento Costa, B. M., Oliveira, M. C., & Rebouças, S. M. D. P. (2015). Divulgação de Provisões e Passivos Contingentes Ambientais sob a Ótica da Teoria Institucional. In: IX Congresso Anpcont. Curitiba: PR. Murcia, F. D. R., & SANTOS, A. D. (2010). Teoria do disclosure discricionário: evidências do mercado brasileiro no período 2006-2008. InCONGRESSO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS (ANPCONT) (Vol. 4).Alves, H., Rodrigues, A. M., & Canadas, N. (2012). Factors influencing the different categories of voluntary disclosure in annual reports: An analysis for Iberian Peninsula listed companies. Tekhne, 10(1), 15-26. Pinto, A. F., Avelar, B., Fonseca, K. B. C., Silva, M. B. A., & Costa, P. D. S. (2015). Value Relevance da Evidenciação de Provisões e Passivos Contingentes. Pensar Contábil, 16(61). Rufino, M. A., & Monte, P. A. D. (2015). Fatores que Explicam a Divulgação Voluntária das 100 Empresas com Ações Mais Negociadas na BM&FBOVESPA. SOCIEDADE, CONTABILIDADE E GESTÃO, 9(3). Wallace, R. O., & Naser, K. (1996). Firm-specific determinants of the comprehensiveness of mandatory disclosure in the corporate annual reports of firms listed on the stock exchange of Hong Kong. Journal of Accounting and Public policy, 14(4), 311-368.
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