Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
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RESUMO DO TRABALHO

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Código: 221

Área Temática: Área IV: Contabilidade Gerencial

Título: Relação das Tipologias Estratégicas com o Desempenho Econômico-Financeiro de Empresas Brasileiras

Resumo:
Propósito do Trabalho:
O desenvolvimento tecnológico acelerado e o ambiente global em que as empresas estão inseridas, obrigam as organizações a procurar inovações e definir boas estratégias para se manterem ativas no mercado. Dessa forma, uma questão chave para as empresas obterem sucesso e terem um bom desempenho econômico-financeiro é pelas suas escolhas estratégicas (Morgan & Strong, 2003). Dependendo dessas escolhas, o desempenho econômico pode sofrer influências positivas e negativas. Ou seja, um desempenho indesejado pode ser resultado de uma adoção estratégica incorreta, e, um bom desempenho pode ser resultado das escolhas estratégias apropriadas ao ambiente e ao mercado que estão inseridas (Venkatraman & Prescoot, 1990). Mesmo com os avanços das pesquisas teóricas e empíricas sobre estratégias e desempenho, existem pouca consonância sobre as tipologias estratégicas e como elas se associam com o desempenho econômico-financeiro das empresas. Diante desse contexto, apresenta-se o seguinte problema de pesquisa: Qual a relação das estratégias competitivas de Miles e Snow (1978) e de Porter (1980) no desempenho econômico-financeiro de empresas brasileiras do setor cíclico? Nesse sentido, com o intuito de responder a questão apresentada, o objetivo deste estudo é identificar a relação das estratégias competitivas de Miles e Snow (1978) e de Porter (1980) no desempenho econômico-financeiro de empresas brasileiras do setor cíclico.

Base da plataforma teórica:
As tipologias estratégicas podem ser categorizadas de diferentes maneiras, as mais conhecidas e divulgadas na literatura são a de Miles e Snow (1978) e Porter (1980). Na tipologia estratégica de Miles e Snow (1978), as empresas são classificadas em defensora, analisadora, prospectora e reatora (Miles, Snow, Meyer, & Coleman, 1978). As empresas que mantem estratégias defensoras buscam estabilidade organizacional, agem progressivamente para impedir que os concorrentes entrem no seu mercado. Já as empresas prospectoras estão em um ambiente mais dinâmico em relação às defensoras. Essa estratégia tem como principal característica encontrar e explorar novas oportunidades de produtos e mercado, ser inovadora, mesmo com preços mais elevados. Enquanto o defensor e o prospector estão em extremidades opostas, o analisador pode ser considerado uma combinação ou uma alternativa para essas duas estratégias, pois as empresas analisadoras buscam minimizar o risco e maximizar a oportunidade de lucro. Pode ser considerado que os analisadores, os prospectores e os defensores são proativos no ambiente onde atuam, o que não se confirma nas estratégias reatoras, na qual existe uma instabilidade constante, respondem inadequadamente à mudança e incerteza, consequentemente reflete em um mau desempenho como resultado (Miles et al., 1978). Para ganhar vantagem competitiva sobre seus concorrentes, uma empresa deve realizar atividades a um custo menor ou realizá-las de uma forma que leva à diferenciação e um preço com foco no cliente (Porter & Millar, 1985). Então, além das quatro estratégias competitivas de Miles e Snow (1978), existem as três estratégias desenvolvidas por Michael Porter de 1980 que são liderança em custo, diferenciação e foque. A tipologia estratégica de Porter (1980) auxilia a analisar a indústria como um todo, a prever futuras evoluções, compreender a concorrência e a traduzir essa análise em uma estratégia competitiva para um determinado ramo de negócio. Na estratégia de liderança em custo a empresa concentra os esforços na busca constante de eficiência produtiva, ampliação do volume de produção, minimização de gastos com propaganda, assistência técnica, pesquisa e desenvolvimento, apresentando por meio do seu preço o principal atrativo para o consumidor. No entanto pela estratégia competitiva de diferenciação, a empresa investe mais em imagem, tecnologia, assistência técnica, pesquisa e desenvolvimento, recursos humanos, pesquisa de mercado e qualidade, tendo como finalidade a criação de diferenciais para os seus consumidores. E a estratégia competitiva de foco significa escolher um alvo restrito pelo qual, através da diferenciação ou do custo, a empresa se especializará atendendo a segmentos ou nichos específicos (Porter, 1980). Para Teeratansirikool, Siengthai, Badir e Charoenngam (2013), uma empresa formula estratégias para atingir seus objetivos de longo prazo usando um sistema de controle para medir o progresso em direção às metas e fazer os ajustes necessários (avaliação de desempenho). Ainda conforme os autores, a medição do desempenho tem uma gama de fatores para a sobrevivência do negócio e deriva da estratégia competitiva. A relação entre a estratégia e desempenho é um paradigma na literatura e empresas, pelo fato das escolhas estratégicas influenciarem no desempenho econômico-financeiro das mesmas (Miles et al., 1978; James & Hatten, 1994; Desarbo, Benedetto, Song, & Sinha, 2005). Se a empresa tiver um desempenho indesejado, pode ser resultado de escolhas estratégicas apropriadas (Venkatraman & Prescoot, 1990).

Método de investigação:
A pesquisa caracteriza-se como descritiva, por meio da análise documental e com abordagem quantitativa. A população do estudo é composta pelas empresas brasileiras do setor de consumo cíclico listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA). Das 65 empresas neste setor, uma foi excluída por não estar disponível na página institucional o relatório de administração e 7 foram excluídas por não apresentarem na base de dados Economática® todas as informações necessárias para o cálculo dos indicadores econômico-financeiros utilizados neste estudo. Por fim a amostra do estudo é composta por 57 empresas. Após definida a amostra do estudo, foram baixados os relatórios de administração das empresas do ano de 2014, para a identificação das estratégias referentes à tipologia de Miles e Snow (1978). Em seguida, as estratégias adotadas pelas empresas foram tabuladas em planilha eletrônica, onde as empresas que não foram identificadas as tipologias de Miles e Snow (1978) no relatório de administração foram categorizadas como 1, as que foram identificadas como defensoras foram categorizadas como 2, as identificadas com estratégia prospectora como 3, as empresas que foram identificadas como analíticas foram categorizadas como 4 e, por fim, as que foram identificadas com estratégia reativa foram categorizadas como 5. Para a identificação das estratégias referentes à tipologia de Porter (1980) foram verificadas as páginas institucionais das empresas que compuseram a amostra. As estratégias identificadas nas páginas institucionais das empresas foram tabuladas em planilha eletrônica, e nas empresas em que não foi possível identificar a estratégia conforme Porter (1980) foram categorizadas como 1, as empresas identificadas com estratégia de diferenciação foram categorizadas como 2, as empresas identificadas com estratégia de liderança em custos foram categorizadas como 3 e as empresas identificadas com estratégia em foco foram categorizadas como 4. Posteriormente, foram tabuladas em planilha eletrônica as informações necessárias para cálculo dos indicadores econômico-financeiros, que estavam contidas nas demonstrações contábeis divulgados em 31 de dezembro de 2014 das empresas que compuseram a amostra do presente estudo. Após, foi aplicado os testes Kolmorogov-Smirnov, Shapiro-Wilk e Kruskal-Wallis.

Resultados, conclusões e suas implicações:
Para alcançar o objetivo do presente estudo, a análise dos resultados foi dividida em dois momentos. Inicialmente, será apresentado os resultados encontrados referente à relação das tipologias estratégicas de Miles e Snow (1978) no desempenho econômico-financeiro das empresas e, em um segundo momento será apresentada a relação das tipologias estratégicas de Porter (1980) no desempenho econômico-financeiro das empresas que compuseram a amostra do estudo. Por meio das inferências observadas nos relatórios de administração e páginas institucionais das empresas, foi estabelecida a categorização das tipologias estratégias de Miles e Snow (1978) e Porter (1980). Referente as tipologias estratégicas de Miles e Snow (1978), 12 empresas foram categorizadas por meio dos relatórios de administração como defensoras, 19 como prospectoras, 12 como analisadoras e 7 como reativas. Nas demais empresas que compuseram a amostra (7 empresas) não foi possível identificar por meio do relatório de administração a tipologia estratégica adotada pelas mesmas. Referente as tipologias estratégicas de Porter (1980), as quais foram identificadas por meio das páginas institucionais das empresas, 24 empresas foram categorizadas como empresas que adotam a tipologia estratégica de diferenciação, 5 de liderança em custos e 15 como empresas que adotam a tipologia de Foco. Nas demais 13 empresas que compuseram a amostra, não foram possíveis identificar por meio das páginas institucionais a tipologia estratégica de Porter (1980) adotada pelas mesmas. Com o auxilio dos testes estatísticos de Kolmogorov- Smirnov e Shapiro-Wilk foi possível verificar que as variáveis dependentes do estudo apresentaram distribuição não-normal, ou seja, p < 0,05 e, por este motivo, foi utilizada a análise dos dados por meio do teste Kruskal-Wallis. O teste realizado utilizando a tipologia estratégica de Miles e Snow (1978) indicou que a escolha das tipologias estratégicas de Miles e Snow (1978) nas empresas afetam os indicadores de Liquidez Corrente e Rentabilidade do Patrimônio Líquido. Já em relação ao teste utilizando as tipologias estratégicas de Porter (1980) pode-se concluir que a escolha das tipologias de Porter (1980) nas empresas afeta o indicador de Liquidez Geral. Ainda, verificou-se por meio das médias de cada uma das variáveis de desempenho econômico-financeiro que apresentou significância no teste Kruskal-Wallis que, entre as 4 tipologias estratégicas de Miles e Snow (1978), as empresas que adotam a tipologia estratégica Prospectora são as que apresentam a maior média nos indicadores de Liquidez Corrente e Rentabilidade sobre o Patrimônio Líquido. Já em relação às tipologias estratégicas de Porter (1980), verificou-se por meio das médias que as empresas que adotaram a tipologia estratégica Diferenciação apresentaram a maior média referente ao indicador de Liquidez Geral. Logo, pode-se concluir que as tipologias estratégicas de Miles e Snow (1978) e Porter (1980) possuem relação com os indicadores de desempenho econômico-financeiro das empresas investigadas. Esta pesquisa, apesar de suas contribuições, apresenta limitações. Uma delas refere-se ao fato de que pode haver outras variáveis de desempenho econômico-financeiro que são afetadas pelas tipologias estratégicas, as quais não foram investigadas neste estudo. Além disto, 7 empresas foram excluídas no momento da análise de Miles e Snow (1978) e 13 foram excluídas durante a análise de Porter (1980), ambas por não terem apresentado evidências das tipologias estratégias nas suas páginas institucionais. Para futuras pesquisas recomenda-se a utilização de outras variáveis de desempenho econômico-financeiro, com o intuito de investigar se as mesmas possuem relação significativa com a tipologia estratégica adotada pela empresa. Também se recomenda para estudos futuros a alteração da amostra deste, com com o intuito de verificar a relação entre as tipologias estratégicas de Miles e Snow (1978) e Porter (1980) e o desempenho econômico-financeiro em diferentes tipos de organizações. Além de ampliar e comparar o estudo para mais países.

Referências bibliográficas:
Desarbo, W. S., Benedetto, C. A. di, Song, M., & Sinha, I. (2005). Revisiting the Miles and Snow strategic framework: uncovering interrelationships between strategic types, capabilities, environmental uncertainty, and firm performance. Strategic Management Journal, 26(1), 47-74. James, W. L., & Hatten, K. J. (1994). Evaluating the performance effects of Miles' and Snow's strategic archetypes in banking, 1983 to 1987: Big or small?. Journal of Business Research, 31(2), 145-154. Miles, R. E., Snow, C. C., Meyer, A. D., & Coleman, H. J. (1978). Organizational strategy, structure, and process. Academy of management review, 3(3), 546-562. Morgan, R. E., & Strong, C. A. (2003). Business performance and dimensions of strategic orientation. Journal of Business Research, 56(3), 163-176. Porter, M. E. (1980). Competitive strategy. New York: The Free Press. Teeratansirikool, L., Siengthai, S., Badir, Y., & Charoenngam, C. (2013). Competitive strategies and firm performance: the mediating role of performance measurement. International Journal of Productivity and Performance Management, 62(2), 168-184. Venkatraman, N., & Prescoot, J. E. (1990). Environment-strategy coalignment: an empirical test of its performance implications. Strategic Management Journal, 11(1), 1-23. Venkatraman, N., & Ramanujam, V. (1986). Measurement of business performance in strategy research: A comparison of approaches. Academy of management review, 11(4), 801-814.

 

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