Anais do XV Congresso USP de Controladoria e Contabilidade
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RESUMO DO TRABALHO

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Código: 39

Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Título: Impacto da Adoção do Padrão IFRS sobre Custo de Capital Próprio das Empresas de Capital Aberto no Brasil

Resumo:
Propósito do Trabalho:
A adoção do padrão International Financial Reporting Standards (IFRS) apresenta como objetivo o aumento da qualidade das informações contábeis. Estudos realizados para a Europa indicam que após a adoção do padrão IFRS se verificou a redução do custo de capital próprio das empresas devido a redução da assimetria de informação e do risco da empresa. Em função do exposto e, com o intuito de contribuir para elucidar os efeitos da adoção do padrão IFRS sobre o custo de capital próprio no Brasil, apresenta-se o problema de pesquisa deste trabalho: A adoção do padrão IFRS contribui para a redução do custo de capital próprio das empresas de capital aberto no Brasil? Assim, ao responder o problema de pesquisa apresentado, este trabalho possui o objetivo principal de verificar se adoção do padrão IFRS reduziu o custo de capital próprio das empresas de capital aberto no Brasil como indicado pelos estudos realizados para o caso europeu, possibilitando assim maior entendimento sobre o impacto da adoção do padrão internacional de contabilidade no mercado de capitais brasileiro. Para responder o problema de pesquisa apresentado e atingir os objetivos propostos foi elaborada a seguinte hipótese de pesquisa: H0: A adoção do padrão internacional de contabilidade diminuiu o custo de capital próprio das empresas brasileiras de capital aberto.

Base da plataforma teórica:
Adoção do padrão IFRS, qualidade da informação contábil e Custo de capital próprio De acordo com Iudícibus, Martins e Gelbke (2009), a principal alteração que a adoção das normas internacionais de contabilidade trouxe para o conjunto informacional foi a preferência da essência sobre a forma, o que possibilita o registro da transação econômica das operações por parte da empresa. A adoção do IFRS no Brasil foi realizada em duas etapas: i) aprovação da Lei 11.638/07, permitindo a adoção parcial a partir de 2008 e ii) a adoção obrigatória, a partir de 2010, para as empresas brasileiras de capital aberto (LIMA, 2011). Com o objetivo verificar se a adoção do IFRS alterou a qualidade da informação contábil, Barth, Landsman e Lang (2008) estudaram as informações divulgadas pelas empresas em diferentes países antes e após a convergência às normas internacionais de contabilidade. Os autores encontraram evidências de melhoria no conteúdo informacional após a adoção do IFRS. De acordo com Lee, Walker e Christensen (2010), a adoção do padrão internacional de contabilidade aumenta a qualidade da informação divulgada, reduzindo assim a assimetria de informação e, consequentemente, os custos para análise e tomada de decisão por parte dos investidores, refletindo de maneira direta na redução do custo de capital por parte das empresas. Li (2010) analisou uma amostra de 6.456 dados de empresas europeias para avaliar o impacto da adoção das normas internacionais de contabilidade no custo de capital das empresas de capital aberto. O estudo encontrou evidências de redução de 47 pontos base no custo de capital das empresas no período de 1996 a 2005. Ainda assim, o estudo aponta que a redução do custo de capital está relacionada com o enforcement para aplicação das normas. É importante apontar que de acordo com Sonderstrom e Sun (2007) o impacto da adoção das normas internacionais na qualidade da informação contábil está relacionada com aspectos institucionais dos países adotantes. Dentro dessas características se destacam o desenvolvimento do mercado de capitais e o enforcement para a aplicação das normas. Ainda assim, o estudo de Markov e Tamoyo (2006) aponta que o efeito da adoção do padrão IFRS pode necessitar de um período de aprendizagem tanto para as empresas quanto para os usuários da informação. Deste modo, os efeitos da adoção do padrão IFRS no Brasil podem ser diferentes dos encontrados nos estudos realizados para o caso europeu, devido às diferenças institucionais e econômicas entre Europa e Brasil. Além do fato do padrão internacional de contabilidade ter sido adotado recentemente no Brasil e sobre forte impacto da crise financeira de 2008. No Brasil, o Trabalho de Nardi e Silva (2014), analisou o impacto do padrão IFRS no custo de capital das empresas de capital aberto apenas no período de adoção obrigatória do padrão IFRS. O estudo utilizou as empresas do índice IBRX-100 e a metodologia de Diferenças em Diferenças (DD), sendo o cálculo do custo de capital baseado na metodologia de Li (2010) e sem a utilização de variáveis controle para as alterações macroeconômicas do período, além de avaliar os efeitos apenas o período de adoção obrigatória do IFRS para empresas do IBXRX-100, Os resultados indicaram uma pequena redução de 7 pontos base para o custo de capital no período.

Método de investigação:
Este trabalho utilizou dados da plataforma da Economatica®, Damodaran On line e de relatórios financeiros divulgados pelas empresas da amostra. O período de análise de 2004 a 2013 com as empresas listadas na BMF&F-BOVESPA, excluindo-se as empresas do setor financeiro. A decisão pela exclusão dos dados das empresas financeiras se deu pela diferença nos padrões contábeis e na regulamentação específica desse setor. Para a análise dos dados e construção dos modelos foi utilizado o programa estatístico STATA®. A variável utilizada para estimar o custo de capital próprio das empresas foi construída por meio do modelo CAPM (Capital Asset Pricing Model), apresentado por Sharpe (1964), adaptado a realidade brasileira. De acordo com Assaf Neto et al. (2008) a utilização do modelo CAPM no Brasil apresenta a necessidade de adaptação, pois devido a alta volatilidade do mercado de capitais nacional e a elevada taxa básica de juros brasileira o modelo perde a validade para o cálculo do prêmio pelo risco de mercado e do cálculo do beta das empresas. Assim, os mesmos autores sugerem um modelo adaptado a realidade brasileira. Deste modo, na equação (1) é apresentado o modelo utilizado nesta pesquisa para o cálculo do custo de capital próprio das empresas brasileiras de capital aberto. A escolha pelo modelo CAPM se justifica por sua ampla utilização nos modelos de avaliação de empresa e a metodologia utilizada segue os modelos apresentados por Assaf Neto et al. (2008) e Assaf Neto (2012). A amostra foi dividida em três períodos: i) anterior à adoção das normas IFRS, antes de 2008; ii) período de adoção parcial não obrigatória, entre 2008 e 2009; e iii) período de adoção obrigatória, após o ano de 2010. A divisão da amostra foi realizada por meio de variáveis dummy que representam cada um dos momentos citados: i) ANT; ii) PARC; iii) COMPL. Os períodos de adoção parcial e adoção obrigatória do IFRS no Brasil foram realizados de maneira separada. Para a análise do período de adoção parcial foram retiradas da amostra os dados referentes ao período de adoção completa, do mesmo modo para a análise do período de adoção obrigatória foram retirados da amostra os dados referentes ao período de adoção parcial do IFRS. No trabalho foi utilizado a metodologia de dados em painel e modelos de diferenças em diferenças.

Resultados, conclusões e suas implicações:
Os resultados deste trabalho indicam que não houve redução do custo de capital próprio das empresas nos períodos de adoção parcial e obrigatória do IFRS no Brasil. Esses resultados são contrários a hipótese de redução de custo de capital próprio das empresas após a adoção do padrão internacional de contabilidade apresentados nos estudos de Daske et al. (2008), Li (2010) para a Europa. É importante destacar que os resultados encontrados nos modelos mostram que as variáveis de controle, OBR, LNATIVO, DIVPL, SELIC, IBOV e RISCOBRASIL apresentaram significância estatística, ou seja, parte da variação do custo do capital próprio é explicado por essas variáveis, justificando assim a inclusão dessas variáveis no modelo, pois caso essas variáveis não fossem inseridas no modelo, parte do efeito delas seria atribuído a adoção do padrão IFRS, mascarando os resultados encontrados. Ainda assim, as variáveis dummy utilizadas para a separação setorial também apresentou diferenças para determinados setores. Com relação aos estudos para o caso brasileiro, a diferença dos resultados encontrados no estudo de Nardi e Silva (2014) podem ser atribuídos a inclusão de variáveis de controle para o comportamento da taxa básica de juros no Brasil e das oscilações do mercado de capitais, pois neste período essas variáveis sofreram forte variação por conta da crise internacional de 2008, como destacado no estudo de Lima (2011). Ainda assim, destaca-se a análise separada do período de adoção parcial e adoção obrigatória, além do uso da metodologia CAPM para o cálculo do custo de capital próprio das empresas. A ausência de impacto do padrão IFRS sobre o custo de capital próprio das empresas brasileiras pode ser explicada pela fragilidade institucional no Brasil e baixo poder de enforcement para aplicação correta do padrão internacional de contabilidade, como sugerido nos estudos de La Porta, Lopez-De-Silanes e Shleifer (1998) e Sonderstrom e Sun (2007). Cabe ainda destacar a grande influência da contabilidade fiscal e o baixo grau de desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro. Ainda assim, os efeitos podem aparecer de maneira mais clara com o passar do tempo, pois Markok e Tamoyo (2006) sugerem a necessidade de um tempo de adaptação, das empresas e dos acionistas, entre o período de adoção e a efetiva melhora do conteúdo informacional. Esses resultados sugerem a necessidade de uma maior atenção com a adoção do padrão internacional no Brasil, pois indica aos normatizadores que a simples mudança de padrão de divulgação não altera a qualidade do conteúdo informacional. O trabalho apresenta limitações por conta da amostra e dos métodos estatísticos utilizados, além de os resultados refletirem o período de análise. Assim, sugere-se que estudos futuros sejam realizados com um período maior de análise e com métodos estatísticos que permitam a interpretação mais precisa do efeito analisado.

Referências bibliográficas:
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