Anais do XV Congresso USP de Controladoria e Contabilidade
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RESUMO DO TRABALHO

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Código: 59

Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Título: Desempenho Financeiro e Divulgação de Informações sobre Recursos Humanos: Uma Análise das Empresas Do IBrX - 100

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Que ganham as companhias ao publicar o quanto gastaram pagando cursos de idiomas para funcionários ou contribuindo com a sua previdência privada, por exemplo? Por acaso isto representa ou pode representar para elas uma vantagem comparativa em relação à concorrência? Ao fazer isto, sofrem algum tipo de impacto – direto ou indireto, positivo ou negativo – na sua performance produtiva? Investir em pessoas (e comunicar a realização deste investimento) se reflete nos seus resultados financeiros? Embora não se pretenda aqui responder a todas estas questões, este estudo lança luzes sobre estes pontos de discussão através da análise de três elementos, quais sejam: o investimento em recursos humanos; a divulgação voluntária deste investimento; e, o desempenho financeiro. Desta forma, a pergunta de pesquisa que norteia o trabalho é: qual a relação entre o processo de divulgação de informações sobre recursos humanos e o desempenho financeiro das companhias? A análise da relação é o objetivo deste estudo. Aprofundá-la este binômio entre disclosure e performance financeira possibilitará oferecer uma contribuição aos profissionais ligados à area de recursos humanos: a partir das conclusões obtidas nesta pesquisa poderão rever de forma diferente o modo como as informações sobre o investimento em recursos humanos estão sendo evidenciadas nas empresas em que atuam. Além disto, esta pesquisa instigará membros da academia a realizar outras pesquisas no sentido de confirmar ou refutar se os resultados aqui obtidos se repetem em outros segmentos empresariais e/ou países.

Base da plataforma teórica:
Hossain, Khan e Yasmin (2004) afirmam que, mesmo que o investimento em recursos humanos não esteja explicitado nas demonstrações financeiras das entidades, o trabalho das pessoas continua sendo a engrenagem responsável pelo desenvolvimento das organizações, e até mesmo pela atração de novos investidores. Tinoco (2013, p. 67) explica ainda que “o novo paradigma da competitividade e da continuidade das entidades que buscam a liderança a nível mundial passa pelo reconhecimento que este está ancorado em pessoas”. A mão de obra qualificada e motivada gera melhores resultados - o que, consequentemente, cria valor para a entidade e retorno para os acionistas. Portanto, a empresa que investe em recursos humanos possui um diferencial de atratividade perante os investidores. Hossain, Khan e Yasmin (2004) corroboram este entendimento afirmando que, ao perceber uma força de trabalho diferenciada e competente, os investidores conseguem visualizar um negócio promissor. Logo, propalar o investimento realizado em recursos humanos se tornou uma estratégia de marketing com vistas a atrair capital externo e, talvez, capaz até de motivar as pessoas da organização. Demonstrada a importância dos recursos humanos e sua função dentro das organizações como criadores de valor, surge a preocupação no que concerne a evidenciação dos benefícios gerados, seus reflexos e o quanto vale o citado valor agregado. Admitindo que muitas informações que não são claramente expressas pelas demonstrações financeiras, Hossain, Khan e Yasmin (2004, p. 225) afirmam que “para remover esta dificuldade e para chamar a atenção dos acionistas, muitas empresas estão informando sobre os seus recursos humanos em um formato não financeiro, principalmente nos relatórios anuais de forma voluntária”. Esta observação foi levada em consideração quando da elaboração da estrutura metodológica do presente estudo. Tanto o trabalho de Mamun (2009) quanto o de Micah, Ofurum & Ihendinihu (2012) trataram, de forma mais pontual, da influência que a informação acerca de recursos humanos exerce sobre o desempenho financeiro das entidades. Branco e Rodrigues (2009) relataram que o desempenho financeiro está ligado a uma força de trabalho capacitada, o que gera competitividade nas relações mercadológicas. Ao pesquisar os fatores determinantes da evidenciação em Responsabilidade Social Corporativa (RSC) em um grupo de empresas listadas na Bovespa, Conceição, Dourado, Baqueiro, Freire, & Brito (2011) sugeriram que a política de disclosure nesta matéria está ligada ao benefício marginal que as entidades auferem (ou esperam auferir) com este tipo de divulgação. O marketing social seria, portanto, em termos econômicos, uma externalidade positiva, um efeito compensatório do disclosure. O mesmo estudo sinaliza a existência de uma relação significativa entre o desempenho econômico-financeiro com a evidenciação de RSC. Assim, partindo do conceito de recursos humanos e aprofundando a questão da evidenciação de informações, foi possível perceber a relação entre marketing e disclosure, e sedimentar o estudo das implicações que a divulgação de informações sobre recursos humanos pode causar sobre o desempenho financeiro das empresas.

Método de investigação:
A pesquisa foi desenvolvida com as empresas que compõem o IBrX-100. Este índice concentra as 100 empresas com maior volume de negociação na BM&F Bovespa. Contudo, das 100 empresas listadas no índice, para uma melhor definição da amostra, foram eliminadas: a) as empresas que aparecem mais de uma vez na listagem, para não gerar duplicidade; e b) as empresas classificadas no “Setor Financeiro e Outros”, em razão das suas especificidades. Após a aplicação de tais critérios de eliminação, obteve-se uma amostra com 76 empresas pertencentes a diversos ramos de atuação. Os dados utilizados foram coletados através da base de dados do Economática e por meio dos Relatórios Anuais da Administração, referentes ao ano de 2013, obtidos pelo site de relação com investidores das companhias listadas. Através de análise documental, foram identificadas as palavras-chave associadas ao investimento em recursos humanos conforme preconizado por Mamun (2009). A análise do texto foi feita no sentido de verificar a ocorrência dos termos que Mamun (2009) chama de “itens de divulgação”. Importante salientar, que – com o fito de evitar que a pesquisa seja enviesada – a ocorrência de um “item de divulgação” no texto do relatório foi considerada, para efeito de contagem, uma única vez. Deste modo, os termos mais citados e os menos citados tiveram peso equivalente. Alguns dos termos elencados por Mamun (2009) foram adaptados, com o objetivo de evitar distorções e livrar o estudo de um viés decorrente de incongruências terminológicas. A adaptação da metodologia adotada por Mamun viabilizou a apuração do Human Resource Accounting Disclosure Index (HRADI). Este indicador, que representa a variável dependente do presente estudo, é composto por 16 itens de divulgação sobre o investimento em recursos humanos. Somando os itens divulgados por cada empresa e dividindo este resultado pela pontuação máxima que cada empresa poderia obter (no caso, 16) chega-se ao HRADI. Foi utilizada a técnica estatística de regressão múltipla, com o intuito de auxiliar na interpretação dos dados, baseando na perspectiva do cross–section (corte transversal). As variáveis independentes escolhidas para esse trabalho foram: Rentabilidade (REN); Volume de Vendas (VV) e Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (EBITDA).

Resultados, conclusões e suas implicações:
As empresas pesquisadas evidenciam em média 23,44% dos itens definidos na metodologia deste trabalho, e chegam a no máximo 75% de divulgação, com um desvio padrão de 19,61%. Tais evidências são similares aos achados de Micah, Ofurum e Ihedinihu (2012), que ao estudarem empresas da Nigéria, constataram que as companhias nigerianas divulgavam entre 20% e 40% destas informações. Nenhuma das empresas apresenta todas as informações definidas por Mamun (2009) e há, inclusive, empresas que não evidenciam nenhuma informação a respeito de seus recursos humanos. Este resultado se assemelha do constatado por Mamun (2009), pois as empresas pesquisadas pelo autor divulgavam em média 25%, no máximo 50% e no mínimo 6,25% das informações sobre recursos humanos. No estudo de Micah, Ofurum e Ihedinihu (2012), observou-se que existe relação significativa entre a rentabilidade das companhias e a divulgação de informações sobre recursos humanos. Contrariando o resultado deste estudo, a presente pesquisa aceitou a hipótese (p-valor = 0,241) de que não há relação significativa entre a Rentabilidade das companhias estudadas e o HRADI. Por outro lado, os achados da presente pesquisa confirmam o estudo de Domínguez (2012), o qual evidencia que a interpretação do resultado da regressão indica que o fato de uma companhia ser mais rentável não a faz dar maior publicidade ao investimento que realiza em recursos humanos. A presente pesquisa analisou, ainda, a relação entre o Volume de Vendas e o HRADI, e concluiu pela rejeição da hipótese (p-valor = 0,074) ao nível de 10% de significância. Portanto, o Volume de Vendas está significativamente relacionado ao índice de divulgação de informações sobre recursos humanos. Na presente pesquisa, a variável EBITDA foi assumida como um dos representantes do desempenho financeiro. No entanto, após a análise dos dados, a hipótese de que não há relação significante entre EBITDA e HRADI foi rejeitada, pois, de acordo com o modelo de regressão empregado neste estudo, existe uma forte relação de significância entre a variável EBITDA e o nível de divulgação de recursos humanos (p-valor = 0,001). Este resultado corrobora, portanto, as conclusões de Sonnier, Carson e Carson (2007). Desta forma, respondendo à pergunta inicialmente levantada, obteve-se como resposta que o Volume de Vendas e o EBITDA das companhias estão relacionados ao índice de divulgação de informações sobre recursos humanos e que a Rentabilidade destas entidades não se relaciona com o HRADI. Os achados acerca da Rentabilidade corroboram as conclusões de Domínguez (2012), enquanto que os resultados sobre o EBITDA são congruentes com os achados de Sonnier, Carson e Carson (2007). Quanto ao Volume de Vendas, não foram encontrados estudos que observassem a variável sob a perspectiva analisada nesse estudo. Sendo assim, diante das variáveis levantadas para este estudo, pode-se concluir que há uma relação entre o processo de divulgação de informações sobre recursos humanos e o desempenho financeiro das companhias quando este for representado por Volume de vendas e EBITDA, haja vista que a Rentabilidade não se mostrou ter relação de significância nesta análise.

Referências bibliográficas:
Branco, M. C., & Rodrigues, L. L. (2009). Exploring the importance of social responsibility disclosure for human resources. Journal of Human Resource Costing & Accounting, v. 13, n. 3, p. 186-205. Conceição, S. H. D., Dourado, G., Baqueiro, A., Freire, S., & Brito, P. (2011). Fatores determinantes no disclosure em Responsabilidade Social Corporativa (RSC): um estudo qualitativo e quantitativo com empresas listadas na Bovespa. Gest. Prod, 461-472. Domínguez, M (2012). América Álvarez. Company Characteristics and Human Resource Disclosure in Spain. Social Responsibility Journal. Vol. 8 n. 1, pp. 4-20. v. 18, n. 5, p. 47-48. Hossain, D. M., Khan, A. R., & YASMIN, I. (2004). The Nature of Voluntary Disclosures on Human Resource in the Annual Reports of Bangladeshi Companies. Dhaka University Journal of Business Studies, v. 25, n. 1, p. 221-231. Mamun, S. A. A. (2009). Human resource accounting (HRA) disclosure of Bangladeshi Companies and its association with corporate characteristics. BRAC University Journal, v. 1, n. 1, p. 35-43. Micah, L. C., Ofurum, C. O., & Ihendinihu, J. U. (2012). Firms Financial Performance and Human Resource Accounting Disclosure in Nigeria. International Journal of Business and Management, v. 7, n. 14. Sonnier, B. M., Carson, K. D., & Carson, P. P. (2007). Accounting for intellectual capital: the relationship between profitability and disclosure. Journal of Applied Management and Entrepreneurship, v. 12, n. 2, p. 3-14. Tinoco, J. E. P. (2013). Contribuição ao estudo da mensuração, avaliação e evidenciação de recursos humanos. Revista Contabilidade & Finanças – USP, São Paulo, edição comemorativa, p. 66-78.

 

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