Anais do XII Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade
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RESUMO DO TRABALHO

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Clique para abrir o trabalho de código 254, Ã�rea Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Código: 254

Área Temática: Área III: Contabilidade Financeira

Título: Evidenciacao Ambiental: uma Analise das Carteiras do ISE, ICO2 e IBOVESPA

Resumo:
Propósito do Trabalho:
O objetivo da pesquisa foi analisar a evidenciacao ambiental das empresas participantes dos indices ISE, ICO2 e IBOVESPA a fim de verificar se ha diferencas entre as carteiras do ISE e do ICO2, indices caracteristicamente ambientais, e o IBOVESPA. Ademais, buscou-se averiguar tambem se a evidenciacao guarda relacoes com as variaveis setor, nivel de governanca corporativa, porte da empresa, participacao no ISE, participacao no ICO2, participacao no IBOVESPA e a participacao simultanea nos tres indices. As empresas que pertencem ao Indice Bovespa (IBOVESPA), indice composto pelos ativos com maior negociabilidade e representatividade do mercado de acoes brasileiro, tambem evidenciam informacoes sobre o ambiente. Contudo, enquanto a BM&FBOVESPA exige que as empresas do ISE e do ICO2 evidenciem informacoes ambientais, nao se tem o mesmo rigor com as empresas pertencentes ao IBOVESPA. Apesar disso, acredita-se que, mesmo nao havendo exigencia da BM&FBOVESPA para a participacao no IBOVESPA, as empresas realizem boas praticas de governanca corporativa, incluindo a preocupacao com o meio ambiente e sua evidenciacao, dada a visibilidade decorrente da carteira. Sendo assim, esta pesquisa procura responder a seguinte questao: Quais as diferencas entre os niveis de evidenciacao ambiental das empresas participantes das carteiras do ISE, ICO2 e IBOVESPA em 2013? Como objetivos especificos, pretendeu-se analisar as informacoes ambientais evidenciadas pelas empresas componentes da carteira dos indices ISE, ICO2 e IBOVESPA e verificar se a evidenciacao estava associada a variaveis como setor, nivel de governanca corporativa, porte da empresa, participacao no ISE, participacao no ICO2, participacao no IBOVESPA e participacao nos tres indices.

Base da plataforma teórica:
Em decorrencia da amplitude das discussoes envolvendo o meio ambiente, a evidenciacao das informacoes exigidas pelos usuarios torna-se importante, visto que ela os influencia na tomada de decisao. Nossa (2002) aponta como um dos motivos para essa demanda de informacoes ambientais a possibilidade de transferencia de riscos para um credor, como, por exemplo, o risco de credito em decorrencia de multas por violacoes ambientais. Segundo o CPC 22 - Informacoes por Segmento (CPC, 2014), as empresas devem evidenciar informacoes relativas as atividades que executam e aos ambientes economicos em que atuam. Tais informacoes devem possibilitar uma avaliacao da natureza e dos efeitos financeiros dessas atividades. Tal avaliacao e feita por usuarios externos, como governo, investidores e credores, para viabilizar a tomada de decisao, como, por exemplo, decidir quando comprar, manter ou vender instrumentos patrimoniais (CPC 00, 2014). Pesquisas como as de Calixto (2007), Benites e Polo (2013), e Silva, Rocha, Wienhage e Rausch (2009) tem buscado identificar as caracteristicas predominantes nas empresas que evidenciam maiores niveis de informacoes ambientais. Espera-se que empresas de determinados setores, com maior tamanho, com adocao das melhores praticas de governanca corporativa e que participam de carteiras de indices importantes no mercado de capitais brasileiros evidenciem mais informacoes que as demais. O ISE e considerado uma ferramenta para estimular a responsabilidade etica das empresas e comparar seu desempenho sob a visao da sustentabilidade corporativa (BM&FBOVESPA, 2014). Esse indicador e o responsavel pela mensuracao do retorno de uma carteira formada por empresas rentaveis e de alta liquidez, comprometidas com sustentabilidade e responsabilidade social. A selecao das empresas componentes da carteira do ISE e feita levando em consideracao as 150 acoes mais liquidas da BM&FBOVESPA, dentre as quais sao escolhidas as que, atraves de um questionario respondido a Bolsa, possuem as melhores classificacoes em termos de governanca corporativa, dos impactos ambientais de suas atividades e do relacionamento com os empregados, fornecedores e com a comunidade. Alem disso, sua carteira pode ser composta por, no maximo, 40 empresas (Rover, Borba, & Borget, 2008; BM&FBOVESPA, 2014). O ICO2 e um indice formado por acoes de empresas componentes da carteira do IBrX-50 (Indice Brasil 50), que aderiram formalmente a iniciativa do ICO2 e estao empenhadas em divulgar informacoes do inventario anual de GEE de acordo com o nivel de abrangencia e prazos definidos pela BM&FBOVESPA (BM&FBOVESPA, 2014; Fabrini, 2012).Para avaliar as acoes das empresas participantes da sua carteira, o ICO2 considera como relevantes o grau de eficiencia destas em emissoes de GEE e o total de acoes em circulacao de cada uma delas (GVces, 2014). O IBOVESPA e um indice criado pela BM&FBOVESPA em 1968 e tem como objetivo ser referencia na analise do “desempenho medio das cotacoes dos ativos de maior negociabilidade e representatividade do mercado de acoes brasileiro” (BM&FBOVESPA, 2014), tendo grande relevancia na analise de tal desempenho por representar a atuacao das principais acoes negociadas na BM&FBOVESPA. Assim, ao analisar empresas participantes de carteiras de indicadores que abordem especificamente questoes ambientais (ISE e ICO2) e nao ambientais (IBOVESPA), espera-se cumprir os objetivos da pesquisa de investigar se a participacao em carteiras especificas pode representar um fator influente nos niveis de evidenciacao ambiental pelas empresas listadas.

Método de investigação:
A amostra e constituida pelas empresas componentes das carteiras do ISE, ICO2 e IBOVESPA em maio de 2014, periodo de coleta dos dados da pesquisa. A juncao das tres carteiras resultou em uma populacao de 73 empresas. Desse total, excluiram-se 13 empresas que nao apresentaram relatorio de sustentabilidade, 19 que ainda nao tinham disponibilizado os seus relatorios de 2013 e uma empresa que divulgou o relatorio de 2013 em forma de video. Como a empresa Eletropaulo faz parte da empresa AES Tiete, apenas o relatorio dessa ultima foi analisado. De forma analoga, excluiu-se a Metalurgica Gerdau S.A e apenas o relatorio da Gerdau S.A foi contemplado na analise. Os relatorios de sustentabilidade das 39 empresas foram verificados observando-se a evidenciacao de suas informacoes ambientais com base nos indicadores para negocios sustentaveis e responsaveis de dimensao ambiental do Instituto Ethos (2014). O Instituto Ethos foi escolhido como base de analise fundamentando-se na sugestao de pesquisas futuras de Silva, Rocha, Wienhage e Rausch (2009). A analise dos itens foi feita utilizando-se palavras-chave para as buscas de cada categoria. Para a analise dos indicadores da categoria poluicao, foram utilizadas expressoes ‘emissao’, ‘emissoes’ e ‘carbono’. Ja para a analise dos indicadores da categoria materiais, foram utilizadas como palavras chave as expressoes ‘materiais’, ‘coleta seletiva’, ‘residuos’ e ‘recicla’. Na categoria agua, apenas a palavra ‘agua’ foi utilizada. Para a analise dos indicadores da categoria energia foram utilizadas as expressoes ‘energia’ e ‘rede eletrica’ e, por fim, as expressoes ‘mitiga’, ‘residuos’ e ‘biodiversidade’ foram utilizadas para a analise dos indicadores da categoria biodiversidade e habitats naturais. Utilizou-se o Teste Qui-quadrado para verificar a associacao entre o nivel de evidenciacao das empresas e as variaveis setor; nivel de governanca corporativa; porte da empresa; participacao no ISE; participacao no ICO2; participacao no IBOVESPA; e participacao nos tres indices. Os testes foram realizados no Software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS). Os niveis de significancia adotados para a rejeicao das hipoteses nulas da pesquisa foram de a = 5% e a = 10%.

Resultados, conclusões e suas implicações:
A maioria das empresas da amostra é de pequeno porte e está listada no novo mercado. Também é possível perceber que 35 empresas das 39 analisadas fazem parte do IBOVESPA. Destaca-se que mais da metade das empresas pertence ao ISE. Por fim, observa-se que apenas 14 entidades da amostra compõem a carteira dos três índices simultaneamente. A divulgação dos programas de prevenção à poluição foi estatisticamente distinta em função dos setores das empresas, sendo que, no setor ‘Utilidade pública/ energia elétrica’, houve o maior número de evidenciação desse item por ser composto pelo maior número de empresas (nove) e todas o evidenciaram. De maneira oposta, esse foi o setor com menor número de evidenciação dos investimentos no desenvolvimento de tecnologias com foco em redução do consumo de água, sendo que apenas uma empresa o evidenciou. O quesito investimentos em reutilização de materiais e reciclagem também apresentou diferenças estatisticamente significativas entre os setores. Todos os setores evidenciaram os investimentos, sendo que 89% das empresas componentes do setor ‘Utilidade pública/energia elétrica’ evidenciaram tais informações. As evidenciações da compra de resíduos de empresas terceiras para utilizar como fonte de energia também apresentaram diferenças estatisticamente significativas. As evidenciações dos programas de prevenção à poluição foram estatisticamente distintas em função do ISE, sendo que apenas os setores ‘Consumo não cíclico/ fumo’ e ‘Diversos’ não evidenciaram esse item. Os demais setores evidenciaram esse item de forma integral. As evidenciações das iniciativas pontuais para redução do uso de materiais também apresentaram diferenças estatísticas entre setores, de maneira que em ‘Consumo não básico/alimentos processados’ houve o menor número de evidenciações desse item. Ademais, as evidenciações dos investimentos no desenvolvimento de tecnologias com foco em redução do consumo de água apresentaram diferenças estatísticas entre setores, tal que, no setor ‘Utilidade pública/ energia elétrica’, houve o menor número de evidenciação desse quesito. Quanto aos programas de prevenção à poluição, seus valores foram estatisticamente diferentes em função do ICO2, sendo que, com exceção dos setores ‘Consumo não cíclico/ fumo’ e ‘Diversos’, todas as empresas dos demais setores estão comprometidas com a evidenciação dessas informações. As empresas do IBOVESPA apresentaram menor nível de evidenciação dos tópicos abordados na pesquisa, considerando que tiveram uma média de evidenciação de 7,6 tópicos, dos 14 então listados (nível de evidenciação de 54,29% do total de itens analisados). Percebe-se, ainda, que o fato de participar da carteira de mais um indicador não significa que as informações sejam mais evidenciadas, visto que o nível de evidenciação das empresas que participam dos três índices simultaneamente foi 65,21%, percentual inferior ao nível de evidenciação das empresas que participam apenas da carteira do ISE (67,85%). Constatou-se que as empresas que participam de carteiras de indicadores com foco ambiental demonstraram-se mais preocupadas com a evidenciação de informações desse gênero, dado que o nível de evidenciação das empresas que compõem as carteiras do ICO2 e do ISE foram 63,07% e 67,85% respectivamente, valores superiores ao percentual de evidenciação de empresas que pertencem apenas ao IBOVESPA (54,29%). Com base nos resultados, verificou-se que existe relação das variáveis setor, governança corporativa, porte da empresa, participação no ISE, participação no ICO2, participação no IBOVESPA e participação nos três índices com as evidenciações ambientais dos relatórios de sustentabilidade das empresas da amostra. Pode-se destacar a evidenciação do item programas de prevenção à poluição como o de maior influência nas referidas variáveis, sendo este associado a setor, porte da empresa, ISE e ICO2. Verificou-se, ainda, que houve diferenças no nível das evidenciações ambientais entre os índices verificados na pesquisa, visto que o ISE se sobressai como o índice com maior média de evidenciação, o que indica que pertencer à carteira de um indicador com foco ambiental pode impactar o nível de evidenciação.

Referências bibliográficas:
BM&FBOVESPA. (2014). Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de Sao Paulo. Recuperado de: < http://www.bmfbovespa.com.br/home.aspx?idioma=pt-br >. Acesso em: 01 jul. 2014. CALIXTO, L. (2007). Uma analise da evidenciacao ambiental de companhias brasileiras – de 1997 a 2005. UnB Contabil, Brasilia, v. 10, n. 1, jan./jul. FABRINI, J. A. (2012). Informacoes ambientais divulgadas pelos bancos presentes no ICO2. Trabalho de Conclusao de Curso (Graduacao em Ciencias Contabeis) – Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade de Ribeirao Preto, Universidade de Sao Paulo, Ribeirao Preto. INSTITUTO ETHOS. (2014). Indicadores Ethos para negocios sustentaveis e responsaveis. Recuperado de: . Acesso em: 01 jul. 2014. NOSSA, V. (2002). Disclosure ambiental: uma analise do conteudo dos relatorios ambientais de empresas do setor de papel e celulose em nivel internacional. Tese (Doutorado em Controladoria e Contabilidade). Faculdade de Economia, Administracao e Contabilidade, Universidade de Sao Paulo, Sao Paulo. ROVER, S.; BORBA, J. A.; BORGERT, A. (2008). Como as empresas classificadas no indice de sustentabilidade empresarial (ISE) evidenciam os custos e investimentos ambientais?. Custos e @gronegocio on line, v. 4, n. 1, jan./abr. SILVA, J. O.; ROCHA, I.; WIENHAGE, P.; RAUSCH, R. B. (2009). Gestao Ambiental: uma analise da evidenciacao das empresas que compoem o indice de sustentabilidade empresarial (ISE). RGSA – Revista de Gestao Social e Ambiental, Sao Paulo, v. 3, n. 3, p. 56-71, set./dez.

 

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