Anais do 13º Congresso USP de Iniciação Científica em Contabilidade - 13º  2016
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RESUMO DO TRABALHO

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Código: 313

Área Temática: Área IV: Contabilidade Gerencial

Título: Pesquisa em Contabilidade Gerencial no Brasil no Período de 1990 a 2015, um olhar sob a vertente de lógicas institucionais

Resumo:
Propósito do Trabalho:
Este artigo propõe a investigação da influência das lógicas institucionais na área de contabilidade gerencial no Brasil, por meio de análise de trabalhos publicados na área. Parte-se do princípio de que se trata de uma relação recursiva em que, tanto a influência das prescrições institucionais sobre os autores sociais, compreendidos aqui como os pesquisadores, quanto à capacidade de agência na construção, legitimação e mudança do ambiente legal e organizacional precisa ser considerada. Para a realização da pesquisa foi selecionada a biblioteca eletrônica SPELL (Scientific Periodics Electronic Library). Desta busca resultaram 289 artigos, compreendidos no período de 1990 a 2015. Diante disso, o delineamento de pesquisa se pautou pela preocupação em analisar o componente de lógica institucional baseada no tripé sujeitos, objetos e práticas. Os dados foram tratados sob a ótica do processo temporal de construção da contabilidade gerencial. Considera-se que o referencial da teoria institucional possa auxiliar pesquisadores a entender melhor a dinâmica da inovação no campo da contabilidade gerencial, por meio da compreensão de como diferentes pesquisadores permearam o desenvolvimento da contabilidade gerencial no Brasil e foram responsáveis por dar significado à área por meio de suas práticas. Como limitação do estudo não se analisou a influência dos Conselhos de Contabilidade, das organizações privadas e das teorias utilizadas e sugere-se aprofundamento para futuras investigações.

Base da plataforma teórica:
Os primeiros estudos de Teoria Institucional datam do fim do século XIX. Eles foram introduzidos por campos como economia, sociologia e ciência política, desde então, buscam desvendar as forças sociais que modelam o comportamento humano e a influência das regras sobre as transações mercantis (SCOTT, 2005; GREENWOOD et al., 2008) Apesar de sofrer influência de outras áreas do conhecimento, é na sociologia que a Teoria Institucional “desenvolve suas mais significativas contribuições” para o campo organizacional. (RAMOS, 2005, p. 28). No campo organizacional, a teoria institucional é primeiramente influenciada pelos trabalhos de Weber, Durkheim e Parsons que inicia o institucionalismo cultural, enfatizando a influência sofrida e imposta pelo sistema de valores e suas ligações com o sistema de significação mais amplo da sociedade (SCOTT, 2005). Assim, a teoria institucional direciona a atenção para as forças existentes fora das fronteiras organizacionais. Para Scott (2005), Instituições são estruturas elásticas fundamentadas em critérios cognitivos, normativos e reguladores. Estes critérios fornecem estabilidade e significado à ação social e são considerados os três pilares da Teoria Institucional. No entanto, as instituições estão sujeitas a processos incrementais e descontínuos de mudança. Assim, a ação dos indivíduos inseridos nas organizações é vista não como fruto da livre escolha, mas como seleção de opções que se encontram dentro de um conjunto estreito de normas definidas que foram legitimadas pelo grupo de atores que se encontram no campo organizacional (HOFMANN, 1999). O conceito de lógica institucional foi introduzido por Alford e Friedland (1985) para descrever o contraditório entre práticas e crenças inerentes às instituições das sociedades modernas ocidentais. Eles descrevem o capitalismo, a burocracia estatal, e a democracia política como três ordens institucionais que têm diferentes práticas e crenças sobre a forma como os indivíduos se envolvem em lutas políticas. Nesse sentido, lógica institucional é considerada “conjunto de práticas materiais e construções simbólicas, que constituem seus princípios de organização e que estão disponíveis para as organizações e indivíduos elaborarem” (FRIEDLAND e ALFORD, 1991, p. 248). Binder (2007, p. 568) argumenta que “pessoas reais, em contextos reais, com consequentes experiências passadas próprias, interrogam e combinam as lógicas institucionais de outros domínios e as fazem caber em suas necessidades”. A lógica institucional se refere fundamentalmente sobre como especificar a compensação e a moderação dos efeitos do interesse individual e da racionalidade. Para isso, ela compreende que o mercado, a família, a profissão, por exemplo, também são uma instituição e desta forma os profissionais não podem ser completamente dominados por apenas uma dessas instituições. Analogicamente, indivíduos e organizações são conscientes das diferenças nas normas culturais, símbolos e praticas das diferentes instituições e incorporam esta variedade em suas próprias crenças e tomadas de decisão. Cada uma das ordens institucionais tem uma lógica central que servem como guias de seus princípios de organização e oferece aos atores sociais os vocabulários de motivação e um senso de si mesmos (ou seja, a própria identidade). Estas práticas e símbolos estão disponíveis aos indivíduos, grupos e organizações que podem aprofundá-las, manipulá-las e utilizá-las em benefício próprio (FRIEDLAND e ALFORD, 1991).

Método de investigação:
De acordo com o objetivo proposto para a pesquisa aqui apresentada, o estudo caracterizou-se como pesquisa descritiva. Ela foi realizado através de análise de conteúdo e análise de citação, com abordagem quantitativa. Segundo Marconi e Lakatos (2005) estudos descritivos buscam descrever, registrar, analisar e interpretar os dados sem manipulá-los. Dessa maneira, a conotação descritiva foi utilizada para mapear, registrar, analisar e descrever as publicações identificadas em periódicos nacionais de Contabilidade sobre Contabilidade Gerencial. Para a realização da pesquisa foi selecionada a biblioteca eletrônica Spell (Scientific Periodics Electronic Library) na qual o termo Contabilidade Gerencial foi buscado no dia 17 de Outubro de 2015. Desta busca resultaram 289 artigos, compreendidos no período de 1990 a 2015, os quais foram selecionados como base de dados. A análise dos dados contou com a inserção do resumo de todos os artigos no web site text analyzer para levantar as palavras contidas nestes resumos uma a uma a fim de ser possível levantar as seguintes palavras: teórico, descritivo, exploratório, explicativo e histórico e desta maneira quantificar os artigos dentre estes paradigmas. Os conceitos propostos por Denzin e Lincoln (2001) e Costa (2001) em relação às fases da pesquisa serviram de base para a análise metodológica. Eles dividem a pesquisa em 5 fases: pesquisador, paradigmas e perspectiva teórica, estratégias de pesquisa e paradigmas interpretativos, modelo de coleta e análise de dados, apresentação e interpretação dos resultados. As fases consideradas para esta pesquisa foram: paradigmas e perspectiva teórica e as estratégias de pesquisa e paradigmas interpretativos. Para a análise dos temas pesquisados na área de Contabilidade Gerencial, utilizou-se a classificação proposta por Shields (1997). O presente estudo considera a estruturação da área de contabilidade gerencial sob a ótica da teoria institucional, que prevê recursividade entre as dimensões social e intelectual subjacentes a esse processo. Desse modo, o foco da análise é buscar encontrar elementos que se relacionem com o Objeto, Sujeito e Prática (FRIEDLAND et al, 2014; FRIEDLAND, 2015) que compõem a Lógica Institucional por meio do Sensemaking que os indivíduos realizaram e estão realizando na ação contínua da atividade.

Resultados, conclusões e suas implicações:
O objetivo principal deste trabalho foi compreender de que forma os sujeitos, objetos e práticas influenciaram a estruturação da área de pesquisa em contabilidade gerencial no Brasil, no período de 1990 a 2015, por meio da vertente de lógicas institucionais. Para atingir o objetivo foi necessário mapear e analisar a produção científica na área de Contabilidade Gerencial em periódicos nacionais no período de 1990 a 2015 além de avaliar as tendências dos temas pesquisados em Contabilidade Gerencial. Os 289 artigos analisados formaram a base de dados desta pesquisa, a qual investigou a participação dos autores nos trabalhos analisados e identificou-se que a participação em conjunto mais significativa foi realizada por somente três autores. Quanto à análise metodológica adotada nas pesquisas selecionadas, analisou-se primeiramente a classificação pelo paradigma e estratégia adotada. Observou-se que na maior parte dos estudos a pesquisa descritiva foi a mais adotada e que a estratégia mais utilizada foi a empírica, seguida pelo Estudo de caso. As tipologias analisadas foram: Sistema de Controle Gerencial, Contabilidade de Custo/Gerenciamento de Custos, Orçamento e Decisões Financeiras, Teorias e metodologias da Pesquisa. No que se refere a estas tipologias, verificou-se que há preferência dos pesquisados em Contabilidade gerencial para a Contabilidade/Gerenciamento de Custos, enquanto que a tipologia menos abordada é a teoria e metodologia da pesquisa. Considera-se que o referencial da teoria institucional possa auxiliar pesquisadores a entender melhor a dinâmica da inovação no campo da contabilidade gerencial, por meio da compreensão de como diferentes pesquisadores permearam o desenvolvimento da contabilidade gerencial no Brasil e foram responsáveis por dar significado à área por meio de suas práticas. Espera-se que os resultados do estudo forneçam subsídios para a discussão acadêmica e prática sobre a questão do desenvolvimento da contabilidade gerencial. Além disso, espera-se que o estudo ofereça suporte à compreensão da adoção de práticas, por meio do processo de tradução e dos problemas organizacionais relacionados às especificidades da cultura nacional. Como sugestão de futuros estudos, considera-se importante dar continuidade da inserção do institucionalismo organizacional na área via estudos acerca de como se deu o processo a nível da configuração de Organizações, Sujeitos e Objetos, quais teorias foram utilizadas para fundamentar os estudos e de que maneira ocorreu o processo de crescimento e inovação na área via influência das Lógicas Institucionais de Mercado e Profissão.

Referências bibliográficas:
Denzin, N., & Lincoln, Y. (2001). Handbook of Qualitative Research, Sage Publication, 2ed, Estados Unidos. Espejo, M. M. D. S. B., Cruz, A. P. C., Walter, S. A., & Gassner, F. P. (2009). Campo de pesquisa em Contabilidade: uma análise de redes sob a perspectiva institucional. Revista de Educação e Pesquisa em Contabilidade, 3(2), 47-71. Friedland, R., Mohr, J. W., & Roose, H.; Gardinali, P. (2014, julho). The Institutional Logics of Love: measuring intimate life. Theory & Society. 43. Giddens, A. (2003). A Constituição da Sociedade. Trad. Álvaro Cabral. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes. Guerreiro, R.; Cornachione, E. B.; Soutes, D. O. (2010). A utilização de Artefatos Específicos de contabilidade gerencial por empresas brasileiras. In: Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração, Rio de Janeiro/RJ. Santana G. A. S., & Colauto R. D. (2010). Institucionalização de Instrumentos Gerenciais: o caso de uma organização do setor elétrico. In: XXXIV Encontro da ANPAD. 2010. Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro/RJ, Anpad, 2010 Scott, W. R. (2008). Institutions and Organizations: ideas and interests, 3a ed. Thousand Oaks: Sage. Thornton, P. H., Lounsbury, M. L. (2012) Institutional Logics Perspective: a new approach to culture, structure, and process. Oxford University Press: Oxford.

 

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